E a Copa da Ásia? (Parte 1/3)

Disputada no Qatar este ano, a Copa da Ásia foi o grande evento futebolístico de 2011 até então. O torneio ocorre de quatro em quatro anos e tivemos sua 15ª edição. Contou com 16 equipes definidas por eliminatórias. Foi relegado a um plano secundário de importância para a mídia nacional, mas é um evento privilegiado para discutir vários aspectos interessantes para os apaixonados por futebol. Debato o tema aqui em 3 partes:

FUTEBOL: Parte 1

A competição correu sem maiores sobressaltos, com suas principais seleções chegando às fases finais. A decepção foi a ausência de países da “Liga Árabe” nas semifinais, países cujos campeonatos nacionais movimentam volumosas contratações e têm se beneficiado muito do intercâmbio de jogadores e profissionais de nações com mais tradição no esporte. Há alguns anos, junto com o Leste Europeu, é o novo Eldorado de jogadores e treinadores atrás de um dinheirinho extra. Mas pelo visto esta experiência ainda precisa ser muito mais desenvolvida para resultar no mesmo êxito e de que goza o campeão do torneio deste ano: o Japão.

O país do extremo-oriente venceu a Austrália na final por 1 a 0 (gol na prorrogação de Tadanari Lee, um golaço, digas-se de passagem… veja no vídeo os melhores momentos e o gol a partir de 03:13!) após superar a arquirrival Coreia do Sul nas semifinais (1 a 1 no tempo normal, 1 a 1 numa prorrogação emocionante, e 3 a 0 nos pênaltis.). As 3 seleções citadas aqui entraram desde já no torneio definidas como as maiores favoritas, e a origem disto ao meu ver é um ponto-chave para falar do êxito de uma equipe: a maior experiência de seus jogadores e, posteriormente, de sua seleção.

A Austrália conta com diversos jogadores atuando na Europa há anos, principalmente na Inglaterra (reflexo de um campeonato nacional que só agora tenta se fortalecer?) e Coreia do Sul  e Japão possuem as duas ligas nacionais mais ricas do continente (J-League e K-League) e têm uma crescente inserção de jogadores no mercado europeu (com o êxito de pioneiros como Hidetoshi Nakata, Shunsuke Nakamura e o mais bem sucedido deles, J.S. Park). Suas seleções nacionais têm marcado presença regular nas últimas Copas do Mundos e têm conseguido, já com certa regularidade, passar da fase de grupos. Às vezes falta sorte (Caso de Japão x Paraguai, e Coreia do Sul x Uruguai em 2010, e Austrália x Itália em 2006… quem viu os jogos sabe como foi…) mas já têm se credenciado como forças medianas no futebol mundial. Se não existem mais bobos no mundo da bola (como diria o filósofo Galvão Bueno), estas são algumas das seleções que certamente na última década cresceram de produção, sendo capazes de complicar algum grande se este entrar dormindo em campo.

O Japão, com o título conquistado no último domingo, tornou-se a equipe com maior número de conquistas do torneio disputado desde 1956. Tetracampeão da competição (1992/2000/2004/2011), os “Blue samurais” têm grande confiança nesta geração que é a primeira a se desenvolver com o país tendo um campeonato nacional consolidado e com cadeira cativa em competições internacionais. A cultura futebolística do país ainda passa por adaptações a um regime mais competitivo internacionalmente (assim como os coreanos, as equipes possuem grande aplicação tática e são conhecidas pelo futebol extremamente veloz, mas pecam quando precisam ser mais ousados, “malandros”, agressivos – principalmente contra equipes consideradas superiores – e valorizar a individualidade de jogadores que se sobressaiam e definam uma partida) mas já demonstra grandes avanços. Detaques para Keisuke Honda do CSKA Moscou (eleito MVP [Most Valuable Player] da competição e que já havia feito uma excelente Copa do Mundo e pode reforçar o Milan na próxima temporada), Yuto Nagatomo (lateral esquerdo do Cesena da Itália, emprestado à Internazionale de Milão até o fim da temporada nesta janela de transferências), Shinji Okasaki (um dos artilheiros do time na competição com 3 gols) e a minha aposta para o futuro: Shinji Kagawa (jogador de 21 anos do Borussia Dortmund, atual líder disparado do Campeonato Alemão, que em 17 jogos pelo clube fez 8 gols. Fica fora do resto da temporada por contusão, infelizmente). Apenas Okasaki tem mais de 24 anos.

 

Shinji Kagawa contra a seleção da Coreia do Sul

Das periferias do Mundo do futebol podem vir as próximas zebras das Copas, então, é sempre bom acompanhar de perto os adversários, mesmo que ainda tenham muito o que aprender.

Posteriomente falarei dos aspectos gerenciais e econômicos que podemos inferir deste torneio. Aguardem.

POR YURI MOLEIRO

 

 

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