O Vexame: as causas.

Consolidada a eliminação do Corinthians já na Pré-Libertadores, os erros ficam expostos. Tivesse vencido e os erros seriam corrigidos internamente, sem interferência, de uma maneira mais tranquila.

Mas quando se é eliminado da competição mais importante do ano sem sequer ter entrado nela, ninguém quer ouvir a palavra “calma”.

A sequência dos agora chamados erros que levaram a essa eliminação não vem desta temporada. Se olharmos com bastante atenção, a decadência da atual diretoria em termos de conquistas no futebol teve início precisamente no dia 19/07/2009, pouco depois da vitória do Corinthians sobre o Cruzeiro, no Mineirão, pelo segundo turno do Campeonato Brasileiro daquele ano.

Naquele Domingo, no aeroporto prestes a voltar para São Paulo, Cristian e André Santos foram avisados que não jogariam mais pelo alvinegro da capital. Tinham sido vendidos, André por 6 milhões de euros e Cristian por 7. 1 semana depois Douglas era vendido a um time do Oriente Médio, por algo em torno de R$11 milhões.

Os 3 faziam parte da espinha dorsal do time vencedor do Paulista e Copa do Brasil daquele ano, desbancando favoritos como SPFC, Santos e Internacional. As vendas foram justificadas por Mário Gobbi na ocasião, com uma frase que o persegue até hoje na política corinthiana: “futebol é business”.

Hoje, olhando pra trás, aquele desmanche é chamado de erro, mas é obrigação analisar os 2 lados da questão e ver que o acontecimento no máximo foi um infortúnio, com consequências mais desastrosas que as planejadas.

André Santos naquela época tinha 27 anos, vinha sendo convocado para a seleção brasileira com frequência e já tinha demonstrado vontade de jogar na Europa outras vezes. O salário que lhe foi oferecido pelo Fenerbahce era 5 vezes maior do que o que ele recebia no Corinthians. Cristian estava diante do mesmo panorama, exceto pela seleção brasileira. Além disso, um fato que pode ter sido determinante nos bastidores é que os direitos econômicos de ambos estavam divididos. Não posso dar números exatos, mas o que escreverei a seguir não foge muito da realidade: o Corinthians possuía algo em torno de 40% dos direitos de André, o resto era de empresários; já os direitos de Cristian eram dividos em 3 partes iguais por Atlético-PR, Flamengo e Corinthians. Ou seja: houve muita pressão de todos os lados pra que a aposta fosse aceita. Edu estava com contrato assinado e Roberto Carlos já era praticamente uma realidade para a temporada seguinte, que seria a do centenário. No caso de Douglas, muitos não o consideravam tão importante ao time, seria facilmente substituído.

A verdade é que na época as vendas eram muito bem justificáveis. Mas nos próximos jogos as deficiências começaram a aparecer: não havia um volante com uma pegada e passada tão boa quanto a de Cristian, nem um lateral esquerdo com um apoio tão eficiente quando o de André. E o pior de tudo: meias canhotos, mesmo sonolentos, eram raridade no futebol.

Amparado pelos 2 títulos no ano a pressão não foi tão forte, pois todos aguardavam o ano do centenário, quando contratações milionárias seriam feitas. Mano Menezes apostou principalmente em experiência para o fatídico ano de 2010: trouxe Tcheco, Iarley, Roberto Carlos, Danilo. E mesmo jogando melhor que o Flamengo nos 2 jogos, acabou eliminado por conta do critério de gol fora de casa. A torcida entendeu, porque viu raça em campo e o time se dedicou ao Campeonato Brasileiro. Mas Tcheco já estava machucado e logo seria emprestado ao Coritiba. Bruno César foi contratado e Danilo acabou indo pro banco. Quanto a Iarley, ele passou boa parte da temporada substituindo Ronaldo, mas também passou a mesma boa parte da temporada perdendo gols imperdíveis.

No início do Brasileirão, Mano Menezes foi liberado para ser treinador da Seleção Brasileira, e o Corinthians trouxe Adílson Batista. A partir desse momento a máscara do marketing no futebol começou a cair… e Adílson também caiu. Andres e Gobbi não se mostravam dirigentes tão modernos assim, o elenco montado não era forte o suficiente pra levar o Brasileiro, e com um vexatório empate contra o Goiás na última rodada, só veio a terceira colocação e a vaga para a Libertadores teria que ser disputada contra um time colombiano. Faltava algo naquela equipe. Sempre que se precisava dela, ela ficava no quase. Ao fim do jogo, Elias foi anunciado no Atlético de Madrid, e William oficializou a aposentadoria.

O início da temporada começou e como a vaga não estava garantida, Andres preferiu esperar a definição pra depois investir em reforços mais pesados. Até então, apenas nomes desconhecidos tinham sido trazidos, como Fábio Santos, Wallace, Willian e o peruano Luiz Ramirez. Tite estava pressionado e o time estava mal fisica e taticamente. Bruno César, Dentinho e Ronaldo não tinham um bom desempenho em campo… o time simplesmente não estava preparado. Ronaldo que só jogou bem no Corinthians por 6 meses, e tanto se demorou pra descobrir o motivo: Douglas, André e Cristian. O 4-3-3 funcionava com aqueles jogadores e o Fenômeno se dava ao luxo de ficar parado esperando bolas, mas outros jogadores vieram e isso não funcionou mais. O resultado é que o Corinthians estava com 1 a menos em campo, em termos práticos. O mesmo time que não aguentou o tranco no Brasileirão estava sem padrão, desmotivado, e achou que ganharia o jogo a qualquer momento, sem mencionar o fato de ter tido 2 baixas importantes: Elias e William.

Chamem de arrogância, descomprometimento, prepotência, a culpa por ontem recai sim na diretoria pelos motivos apresentados acima, mas recaem principalmente no treinador e nos jogadores. Independente da falha de planejamento, falta de contratações, time desfalcado, etc e etc, o Tolima não deveria oferecer perigo. Individualmente o time do Corinthians era melhor, mas não jogou melhor em nenhum dos 2 jogos. Faltou garra. Faltou brilho nos olhos em vestir a camisa alvinegra. Esse é o motivo da raiva dos torcedores. A eliminação em si não é tão importante, nem as gozações adversárias: o fato é que a torcida não viu vontade, e isso pesou, por isso os jogadores merecem tanta culpa quanto a diretoria.

E o motivo para não haver uma caça às bruxas generalizadas é exatamente esse: a diretoria deixou o time livre demais, principalmente por conta da falta de um diretor profissional remunerado, e perfumou demais a situação com marketing, patrocínios altos, jogadores de renome, e o time entrou na onda. Faltou lembrar que em campo entram 11 contra 11, e só.

As consequências e o que pode ser feito serão discutidas em um próximo post.

*Por Luis Felipe Ferreira

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3 responses to “O Vexame: as causas.

  1. “Mas quando se é eliminado da competição mais importante do ano sem sequer ter entrado nela, ninguém quer ouvir a palavra “calma”.”
    Nem precisava ter escrito o resto, falou tudo ja!

    • No cerne disso tudo tb passa o “efeito bicho-papão” q a libertadores exerce sobre o corinthians… apenas time prontos conseguem lidar com tamanha pressão.

      E o corinthians, nesse momento, ainda não é um time pronto

  2. Você buscou mais longe as causas, analisou a diretoria, as vendas, e fez isso muito bem. Eu pensava nesse assunto a partir do jogo contra o Goiás. Com o Corinthias começando a perder a vaga lá. Mas não deveria, como vc disse, o Tolima não é um risco pra quase time nenhum. Na verdade nem pro ‘Curintia’. O problema é que o time daqueles jogos não era o time realmente. Era uma equipe nervosa, da pra sentir o nervosismo pelas imagens…
    chega a ser absurdo!

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