Domingo de clássicos

Ontem tivemos um domingo movimentado no esporte. Na Inglaterra tivemos um Chelsea e Liverpool com a estréia de Fernando Torres justamente contra seu ex-clube. Aqui no Brasil teve BaVi e o clássico dos clássicos: Corinthians e Palmeiras. Mais tarde, lá no Peru, pelo sub-20, assistimos a um frenético Brasil e Argentina. Sem contar a final do Superbowl, mas não conta mesmo porque a gente nem sabe as regras (eu, pelo menos).

Corinthians X Palmeiras

Do lado mandante – embora, convenhamos, o Pacaembu é do Corinthians – havia o Palmeiras. Em franca ascenção, time se ajeitando no esquema humilde de seu comandante, Felipão, na liderança do Paulistão e agora com os salários em dia, segundo constam informações. O clube palestrino vinha com tranquilidade e via a pressão toda do outro lado. Entrou em campo com Marcos, Cicinho, Thiago Heleno, Maurício Ramos, Rivaldo, Márcio Araújo, Marcos Assunção, Tinga, Luan, Dinei e Patrick. A torcida preenchia as arquibancadas eufórica pela eliminação humilhante do maior rival na Pré-Libertadores, e queria ganhar o jogo pra que a festa ficasse completa.

Do lado visitante, um furacão. Não no bom sentido. O Corinthians vinha de uma eliminação inaceitável para a torcida, muitas críticas, técnico pressionado, jogadores com medo da torcida e todo aquele script tradicional de quando o Corinthians é eliminado da Libertadores. O clube do Parque São Jorge entrou em campo com Julio César, Alessandro, Chicão, Leandro Castán, Fábio Santos, Ralf, Jucilei, Ramirez, Danilo, Jorge Henrique e Edno. A torcida foi em pouquíssimo número ao Pacaembu, mas mesmo assim se fazia ouvir, hora com gritos de apoio hora com protestos.

E o jogo seguiu exatamente a toada que se previa. O Palmeiras tinha mais tranquilidade e entrosamento pra tocar a bola, rodar, fazer as jogadas, enquanto o Corinthians jogava muito mais na raça e na superação pessoal. Os primeiros 20 minutos de jogo foram bem parelhos, com boas chances para os 2 lados, e 2 ótimas defesas, 1 de Marcos numa infiltração de Jucilei e outra de Júlio César em tiro de Tinga de fora da área.

Passados os 2o minutos iniciais, o Corinthians recuou a marcação e aceitou o jogo do Palmeiras. O sistema defensivo encaixava uma boa resistência, mas  Palmeiras encaixava igualmente bons ataques. Em números, pode-se dizer que o Palmeiras foi superior, e Júlio César se firmava como o nome da partida.

O Segundo tempo começou e o ritmo não mudou. O Palmeiras batia, batia e conseguia finalizar a gol, e Júlio César continuava fazendo boas defesas. Willian,  Morais e Marcelo Oliveira entraram no time do Corinthians, enquanto que Patrik e Adriano entraram no lado do Palmeiras, mas o jogo continuou basicamente o mesmo, exceto pelo fato de o Corinthians não usar mais homem de referência.

O Palmeiras avançava, e o Corinthians recuava em busca de um contra-ataque. E ele veio. Numa tabela entra Alessandro e Morais, o lateral saiu na cara do gol e não perdoôu. 1 a 0, com direito a desabafo na frente da torcida do Palmeiras. A comemoração deu origem a alguns entreveros entre os jogadores do Palmeiras e Alessandro, mas nada que tenha ido muito longe. A interpretação mais plausível para a comemoração de Alessandro é uma resposta à violência de parte da torcida nos últimos dias. Só fez do lado errado, mas é um erro perdoável.

Depois do gol é que o jogo se dividiu entre ataque e defesa de vez, e o Palmeiras só não marcou por milagre, especialmente em um chute de Kléber que Júlio César tirou com o pé e no último lance de perigo do jogo, quando Kléber chutou, Júlio defendeu, Patrik tentou no rebote, a bola foi na trave, nas costas de Chicão e na mão de Julio novamente.

O que se pode dizer com certeza sobre o jogo é que o Palmeiras teve mais chances e jogou um futebol mais redondo, embora o Corinthians tenha merecido igualmente a vitória, por outros méritos. Tecnicamente, o time que entrou em campo hoje era muito ruim, mas tinha raça. E isso é tudo que a torcida quer ver. A pressão sobre o time será aliviada e com uma vitória na Quarta-Feira a tranquilidade volta para que a diretoria se replaneje para o resto do ano. Mais reforços devem vir e o objetivo principal é classificação para a Libertadores de 2011.

O Palmeiras, por sua vez, joga mais uma vez bem e é líder do Campeonato. Se vierem mais algumas vitórias, Felipão terá moral pra cobrar reforços pontuais da diretoria, e moldar um ótimo time pra disputa da Copa do Brasil e do Brasileirão, que são de fato o que importam no ano.

Até agora o clássico de hoje foi o melhor do ano.
Comentários tendenciosos no Per Sempre Palestra, do C. A.

Chelsea x Liverpool

Comentário rápido, já que eu vi o jogo meio distraido, sem muita atenção. O que chamou mais atenção foi a atuação de Torres. Estreiando pelo Chelsea, o espanhol já jogo de cara contra o Liverpool e teve uma atuação apagada, meio tímida. Acabou substituído quando os Blues já perdiam o jogo.

O gol veio depois de um momento iluminado do técnico, que sacou Raúl Meireles buscando definição na área. Três minutos depois de entrar, o espanhol recebeu um cruzamento na pequena área pra fazer o gol da vitória.  O clássico não foi tão bom quanto parece para o Liverpool. Steven Gerrard, craque do time, que deu o passe para o gol, machucou a virilha. A lesão parece séria, e a região costuma atrapalhar por bastante tempo.

Agora um momento ‘TV Fama’: Fernando Torres já chegou no Chelsea com polêmicas.

Ao ser apresentado disse que sentia-se muito feliz por finalmente jogarem um time grande – mais ou menos como fez Fábio Costa quando foi do Santos pro Corinthians. No jogo, os torcedores dos Reds seguravam faixas “Você devia ter permanecido em um time grande, Torres”, e coisas do tipo. Terminado o jogo, Kenny Dalglish, técnico do Liverpool, disse: “As pessoas mais importantes são as que ainda estão em Liverpool, e eles sempre estarão. Qualquer coisa que alguém queira fazer em sua vida, é sua escolha”. Uma cutucada merecida.

Por Luis Felipe Ferreira e Bruno Jeuken

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4 responses to “Domingo de clássicos

  1. Engraçado como os torcedores reagem, gritos são comuns e até aceitos como manifestações. Violência, vandalismo? Isto é intolerável.
    Essas coisas acontecem constantemente e independente do time. É só surgir uma crise que “os monstros” aparecem. Será que essa galera têm filhos? Será que eles apedrejam e espancam seus filhos quando não tiram notas boas na escola? Parece que sim! A relação de amor e ódio sempre acompanhou o Corinthians, pois esses torcedores apaixonados não admitem erros. Estes erros já eram premeditados e as consequências também. Faltam jogadores, falta garra, falta futebol. A saída de Elias e William infelizmente refletiu diretamente em campo, Ronaldo não está em boa fase, não concordo com as críticas sobre Roberto Carlos, um ótimo jogador, profissional, faz o que tem que fazer em campo.
    Para amenizar essa situação foi necessário que o Corinthians ganhasse o jogo contra o Palmeiras, um clássico. Amenizar não significa fazer as pazes.
    Clássico é clássico e convenhamos que o melhor em campo foi o goleiro Júlio César, um jogo de rivalidade e raça, mesmo o Corinthians não estando em seu melhor momento e o Palmeiras em ascensão. Palmeiras atacando com o dobro de finalizações, enquanto o Corinthians na defensiva esperando o momento do contra ataque, foi assim que saiu o gol de Alessandro e Maurício Ramos, “o zagueiro” errou um gol feito, isso eu não poderia deixar de citar.
    Nesta quarta-feira o Corinthians precisa ganhar. Liedson chegou com vontade e sinceramente espero que essa vontade ajude.

  2. Pingback: Tweets that mention Domingo de clássicos « Futebol e memória -- Topsy.com·

  3. O palmeiras conseguiu perder um jogo em que teve tantas chances que podiam ter goleado!

    Aquilo não foi um jogo, foi um massacre!

    Mas como o futebol tem dessas insondáveis surpresas, Alessandro pegou uma na cara do Marcos e matou o jogo!

    Destaque pra Julio César, que tinha que receber o bicho de todo mundo lá

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