Maracanã: como despertará o gigante?

Não falamos simplesmente de um estádio, de uma praça esportiva, de uma gigantesca estrutura de metal e concreto cujo IPTU deve ser caríssimo, falamos de um lenda, de um templo, de uma paixão tão grande quanto o esporte que abriga. Estádio Jornalista Mario Filho, o Gigante, o Maracanã.

No bairro do Maracanã, rua Professor Eurico Rabelo (sem número, mas também, acho que você não precisaria de um para encontra-lo)  fica o complexo que engloba também o Maracanazinho e o Parque Aquático Julio Delamare. Desde sua inauguração, o futebol brasileiro viu surgir seu mais belo palco, tanto pela opulência quanto pelos grandes jogos e craques que recebeu. Inaugurado em 1950 para a Copa do Mundo de 1950 (prometo que não vou citar mais nada sobre esta competição neste post…), tornou-se a principal casa da seleção brasileira, abrigava todos os clássicos cariocas de grandes times com o Botafogo da década de 50 e o Flamengo da década de 80. Viu Garrincha mostrar a magia do drible, viu Zico como seu maior artilheiro, viu o milésimo gol de Pelé, viu campeões mundiais entre seleções e entre clubes… viu familias inteiras, paixão migrando entre avô, pai e filho, viu públicos de mais de 200 mil para shows de rock (Kiss, 1983), viu a mim quando bem pequeno, indo acompanhado dos meus pais em uma viagem ao Rio (e não lembro de nada da viagem porque era muito novo, a única exceção é a imagem do Maracanã lotado, pulsante, fervendo!)

Mas ultimamente só tem visto poeira, operários e muita, muuuuita polêmica!

Uma lindeza não?

Obras em sequência são comuns ao estádio, mesmo inaugurado em 1950, só ficou pronto realmente em 1965, com a conclusão do projeto original. De lá pra cá, muitas reformas e ajustes já foram feitos. Gramado, camarotes, cobertura, a extinção da “geral” (área no nível do campo com preço mais acessíveis onde os torcedores viam os jogos em pé!), tudo parte do cuidado e manutenção que deve se ter com um patrimônio tão importante, ainda mais quando ele é público (pertence ao governo estadual do RJ, administrado pela SUDERJ). Ficou fechado por cerca de 10 meses para adequações em virtude do PAN-2007 (aquele mesmo onde o TCU não aprovou as contas, apontando incongruência absurdas!), mas nunca em sua história, passou por uma reforma/remodelagem tão quando quanto esta; o estádio é preparado para a Copa de 2014 e para as Olimpíadas de 2016 (os dois maiores eventos esportivos que o Brasil já recebeu).

É triste ver o Maracanã totalmente encarquilhado, assim como ver o Campeonato Carioca sem seu principal palco este ano e o Engenhão sendo utilizado massivamente, como rodada dupla muitas vezes, detonando seu gramado já surrado na reta final do Brasileirão 2010 (uma pena não haverem alternativas melhores). Tudo bem, reforma é reforma, sempre uma dor de cabeça, mas temos que aguentar… faz parte não é mesmo?  Mas o que realmente entristece não apenas os cariocas mas todos os brasileiros, convenhamos, não é nenhuma novidade; são as denuncias de corrupção e o estouro contumaz dos tetos estabelecidos para obra no estádio e no seu entorno!

Ao contrário do feito pela Alemanha em 2006, o Brasil tem mostrado-se extremamente permissivo às exigências da FIFA (boa parte disso por pressão da CBF). Os custos da reforma do Maracanã, que de início foram orçadas em cerca de 500 milhões de reais, acabou sendo fechado em pouco mais de 700 milhões na licitação vencida pelo consórcio Delta – Odebrecht – Andrade Gutierrez em agosto de 2010. Com novas avaliações sobre a estrutura do Maracanã, o andamento das obras e mais exigências da FIFA, o custo da obra já é previsto entre 900 milhões e 1 bilhão de reais… 1 bilhão! Daria pra reconstruir toda a infraestrutura da recem-arrasada Terezópolis duas vezes! Todo o dinheiro deve vir do estado, já que, apesar do projeto inicial de configurar um PPP (Parceria Público-Privada) – como disse durante toda a campanha para Copa o Presidente da CBF, Ricardo Teixeira – houve carência no interesse de investidores privados. Ainda é um mistério como o Governo irá recuperar este dinheiro (SE irá recuperar né…) ou gerenciar o novo estádio.

 

É bom acabar logo... antes que mais dinheiro vá pelo ralo...

Acho que o maior palco do futebol nacional deveria receber mais carinho de que diz zelar por ele. Acho a mesma coisa do dinheiro público também! O Maraca é um estádio de 60 anos que já merecia reformas estruturais mais amplas, ainda mais para abrigar grandes eventos. O fato é que, sendo necessária, a reforma deveria ser feita, mas observando não somente as lamúrias da FIFA e sim as reais necessidades do torcedor que faz a festa no estádio todo fim de semana. Com estes valores, que podem subir ainda mais, o estádio corre o risco de se ter uma grande mácula em sua gloriosa história. Só esperamos que o palco de tantos grandes jogos volte logo tão majestoso quanto sempre foi aos braços de quem pertence; o torcedor carioca e o povo brasileiro.

 

POR YURI MOLEIRO

 

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