Juvenal: o “Gollum” tricolor

Como São Paulino, tenho que primeiro elogiar ao longo dos anos a parte boa do trabalho da diretoria. O trabalho do centralizador Juvenal Juvêncio e seu séquito tem dado frutos. Desde que foi  diretor de futebol em 2003, até chegar na presidência em 2006, J.J. – que, dizem, “respira tricolor” – participou das conquistas de uma Libertadores, um Mundial de Clubes, e três títulos Brasileiros.

Temos um estádio bem cuidado – cuja reforma deve tornar ainda mais especial a experiência de ver um jogo no glorioso Morumbi – um bom CT na Barra Funda (existente desde 1988 mas sempre aperfeiçoado) e o excelente em CFA (Centro de Formação de Atletas) em Cotia para as categorias de base. Temos o REFIS como centro de referência na recuperação de jogadores, um bom programa de sócio-torcedor com mais de 40 mil associados, uma marca valorizada, finanças em dia, um dos departamentos de marketing mais eficazes do futebol brasileiro e boa cotas de patrocínio e TV. O trabalho fora de campo tem sido muito bom, mas quando resolvem pisar na bola… fazem com vontade!

Quem manda lá é ele...

Eu poderia citar um monte situações interpretativas; para mim foi um erro a demissão do Muricy, foi um erro a demissão do Carlinhos Neves, excelente preparador físico, foi um erro a novela em torno da efetivação ou não do Sérgio Baresi que nos prejudicou muito no Brasileirão do ano passado, foi um erro demorar tanto para tirar o time de campo sobre as ridículas exigências de FIFA/CBF para ter o nosso Cícero Pompeu de Toledo na Copa de 2014 (acabou acontecendo, mas devia ter ocorrido beeeem antes). No entanto, esta é só a minha opinião, não compartilhada por muitos tricolores. Toda gestão tem seus erros…  ficariam esquecidos  diante de uma administração tão bem sucedida em outras áreas, se não ocorressem outros maiores.

 

Antes...

O principal vem do conluio entre J.J. e o ex-presidente (do São Paulo e da OAB-SP) Carlos Miguel Aidar. Resumindo a ópera: Juvenal foi eleito em 2006 e reeleito em 2008. Até ai nada de novo. Portugal Gouvêia havia sido reeleito também. Mas, para a eleição de 2008, por mudanças no estatuto do clube, J.J. assumiu um mandato de 3 anos. Ok, que assim seja. Mas a coisa se enrola quando se tenta realizar uma “manobra interpretativa” que consideraria esse mandato de 3 anos diferente do primeiro de 2. Diferente no sentido de que poderiamos considerá-lo o “primeiro” e não o segundo. Isto permitiria a Juvenal concorrer novamente ao cargo maior do clube paulistano. Confuso não? Pois é, é este “twist” na lógica que foi arquitetado pelo ex-presidente da OAB-SP (lembrando que o Sr. Aidar também foi o responsável pelas alterações que propiciaram a perpetuação do Sr. Marcelo Teixeira na presidência do Santos de 2000 a 2009).

... e depois o.O

O “porquê” desse afã pelo cargo só pode ser explicado olhando um pouco para a figura de Juvenal. Centralizador como poucos, não se sentiu a vontade nem foi persuadido a indicar alguém – até o presente momento – de seu bloco para o cargo. Isto não geraria problema algum, nem discussão, nem desgaste, mas ele parece ser incapaz de delegar. Não larga o osso nem por decreto! Agora tumultua os bastidores do clube na tentativa de arrancar mais 3 anos de gestão.

 

Com méritos ou não, qualquer simplória pessoa sabe que basta que o poder se concentre e se mantenha muito tempo sem um novo respiro, uma renovação, uma alternância sadia que dinamiza o ambiente, para intoxicar toda a administração. Põe a perder o Sr. Juvêncio um belo legado de trabalho e dedicação ao Tricolor paulista. Foi um dos responsáveis pela boa situação do clube, mas também um dos responsáveis pela demonização do São Paulo como time chato, arrogante e prepotente. Muitos vêem no presidente o espelho de equipe e torcida. Espero que os conselheiros não façam jus a esta mesquinha fama. Muitas coisas ruins já foram feitas “pensando no melhor interesse do clube.

A alternativa da oposição.

A opção da oposição – desdenhada por J.J. esta no conselheiro vitalício-sócio nº158: Edson Lapolla. Apesar das dificuldades de se vencer uma eleição no clube onde, palavras do próprio Lapolla, a oposição deve ter uns 50 votos dos 235 possíveis, a mera abertura de uma via diferenciada, que possa discutir modos diferentes de abordar os temas no São Paulo, já serve e muito como alento ao torcedor que não tolera esse tipo de malandragem. O fato é que J.J. é o “Gollum” do São Paulo, e não quer largar seu “precioso” de jeito nenhum. Desse jeito, até chegarmos ao nível de política clubista feito no Internacional de Porto Alegre por exemplo, o Corinthians já ganhou a Libertadores… ainda bem que até abril, quando ocorrem as eleições, muita coisa pode acontecer, como hoje quando uma liminar impediu a reunião que referendaria a interpretação do estatuto sugerida por Aidar. É ficar de olho e avaliar o que rola nos bastidores daqui pra frente.

Ah, sobre a Taça das Bolinhas, concordo com o Vitor Birner, derretam a maldita!!! Ou desmanchem… ou desintegram… vendam com a renda para uma instituição de caridade (aposto que o Flamengo não ia chamar a imprensa pra reclamar disso… ia pegar muito mal).

 

POR YURI MOLEIRO

 

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2 responses to “Juvenal: o “Gollum” tricolor

  1. JJ quer se tornar um novo Dualib? Que manobra mais suja para tentar se perpetuar no poder.
    Mas falar o que se em nosso futebol o presidente da entidade máxima do esporte bretão se perpetua no poder desde antes de eu ter nascido?

  2. Muito bom o post. Sobre o Juvenal não tem muito o que falar, todo o necessário ja está no post. Concordo principalmente com dois pontos: que ele é a caricatura do torcedor sãopaulino chato e que a alternância no poder é essencial.

    Bom, não lembro nada agora, mas já ouvi inúmeras frases do Juvenal que arrancam uns “Puta que pariu” dos não-sãopaulinos hahahahhaha.
    Exemplo da bonança extrema que vem quando o poder é arejado é o próprio Santos. No começo, Marcelo Teixeira era novidade e fez um bom trabalho. Devemos reconhecer o Santos do começo da década passada. Campeão, vice e campeão de novo no brasileiro. Mas, dez anos de poder apodreceram tudo. Ano passado, no primeiro ano de gestão de Luís Álvaro muita coisa aconteceu.
    Claro que não é o Presidente do clube que faz o futebol bonito e os gols…mas tudo muda na mudança de gestão.

    O São Paulo precisa mesmo de uma oposição mais forte, mas mesmo um outro presidente da situação já ajudaria.

    Bom post, nego =D

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