O Futuro do Futebol Brasileiro

Romário, Bebeto, Rivaldo, Ronaldo, Cafu, Roberto Carlos, Dunga (o jogador, não o técnico), Taffarel. Durante a minha infância, quando falava sobre seleção, os nomes acima eram recorrentes. Titulares absolutos da equipe canarinha, e grandes responsáveis pelo respeito ao futebol brasileiro moderno. Sim, porque de 1970 a 1994, o Brasil não ganhou nenhuma Copa do Mundo, mesmo com alguns resultados duvidosos, como em 78 na vitória mágica da Argentina sobre o Peru, ou em 90 e a água batizada contra os mesmos hermanos.

Mas essa geração, junto com nomes coadjuvantes como Edmundo, Ronaldinho Gaúcho – sim, na seleção ele sempre foi coadjuvante – , Luizão, Roque Junior, Edmilson, Kleberson, Marcos, Emerson, Branco, Jorginho, entre tantos outros, fez 3 finais consecutivas, sendo campeão em 94 contra a Itália de Roberto Baggio, vice em 98 contra a França de Zinedine Zidane, e campeão em 2002 contra a Alemanha de Oliver Kahn. Não bastasse isso, vários jogadores dos citados acima, além de outros que ainda devem com a camisa amarelinha, fizeram história no futebol europeu, sendo protagonistas de equipes de muita tradição internacional. Romário foi o melhor do mundo jogando pelo Barcelona, assim como Ronaldo e Rivaldo. O Fenômeno ainda foi ídolo da Inter de Milão, do Real Madrid e teve uma curta passagem pelo Milan, onde ainda é querido – só saiu por conta da última das 3 lesões seríssimas que teve no joelho durante a carreira. Roque Junior fez história no futebol alemão, Edmilson esteve no elenco campeão da Champions League em 2006, assim como Ronaldinho Gaúcho. Roberto Carlos é uma lenda viva do Real Madrid, Cafu é figura indispensável ao se contar a história do futebol italiano, e poderíamos citar inúmeros jogadores que tiveram sucesso na seleção, na Europa ou em ambos.

Na semana em que Ronaldo Fenômeno anunciou sua aposentadoria, reportagens especiais, posts em blogs e conversas nos mais variados lugares fizeram ressurgir essa geração em minha memória. Ocorre que na mesma semana, o Brasil foi campeão sulamericano sub-20 com jogadores de destaque em diversas posições, jogadores que não devem mais carregar o rótulo de promessas, e sim de realidade. E não falo apenas de Lucas e Neymar, mas podemos incluir nessa lista Fernando, Casemiro, Danilo, Oscar e Diego Maurício – me perdoem se esqueci alguém. E se nos esforçarmos um pouco, jogadores jovens e confiáveis são abundantes: Jucilei, Bruno César e Dentinho – a quem falta humildade, mas ele vai aprender -, do Corinthians; Ganso – gênio do Santos -, Zé Love – que é o melhor centroavante formado na base brasileira dos últimos anos -, Giuliano, Jadson, Luiz Adriano, Willian, todos no futebol da Ucrânia, Alexandre Pato no Milan, Luiz Gustavo, que vem sendo cotado para a seleção alemã aos 18 anos, entre muitos e muitos outros nomes.

Mas o que mudou de 94 pra cá? A administração dos clubes brasileiros ficou menos pior. Nos últimos 10 a 15 anos, jogadores brasileiros saíam dos clubes a preço de banana, como o técnico José Mourinho definiu em uma entrevista, quando contava como montou o União de Leiria que se classificou para a Champions League. O processo foi lento, e ainda é, mas os jogadores estão começando a ficar mais protegidos aqui. Em parte pela crise que atinge grande parte dos clubes na Europa em oposição ao crescimento econômico Brasileiro, mas em grande parte porque os dirigentes começaram a perceber que ter craques aqui dá dinheiro.

As transações astronômicas de jogadores só se davam pontualmente, como a de Denílson para o Bétis, por algo em torno de U$ 38 milhões. Kaká saiu só por U$ 8 milhões pois o contrato estava no fim. Ronaldinho Gaúcho saiu de graça. Mas de 2005 pra cá as coisas têm sido mais difíceis. Robinho travou guerra contra o Santos pra ser negociado por U$30 milhões, o SPFC recusou ao menos 2 propostas muito altas por Hernanes antes de vendê-lo para a Lazio, o Corinthians vendeu o jovem Willian por U$20 milhões ao Shaktar Donetsk, e essa semana vemos notícias de que Lucas renovou contrato com multa de 80 milhões de euros com o SPFC, além de Neymar e Ganso, com multas de 45 e 50 milhões de euros, respectivamente.

Além de tudo isso, recentemente iniciou-se um movimento de retorno das estrelas ao futebol brasileiro. Ronaldo já tinha vindo em 2009, Roberto Carlos veio em 2010 – e já foi embora -, Ronaldinho Gaúcho ainda tem muita lenha pra queimar no Flamengo, Liédson veio para o Corinthians e frequentemente vemos especulações envolvendo Luis Fabiano, Adriano e Kaká. O staff dos atletas tem consciência de que jogar no futebol brasileiro atualmente é altamente lucrativo. Tão ou mais lucrativo do que na Europa, exatamente por conta da Copa de 2014.

O que importa concluir diante de toda essa conjuntura é que depois da demonstração de força da geração que atravessou 94, 98, 2002 e fracassou em 2006 e 2010, temos uma outra área pra conquistar além de títulos internacionais: a organização. Os clubes brasileiros aprenderam a se impor. E gostaram disso. A Seleção Brasileira, ainda hoje, é de jogadores “europeus”, mas os fatos nos dão uma leve esperança de que isso pode mudar. Neymar já disse “não” ao Chelsea uma vez e está ganhando muito bem, obrigado, no Santos. Lucas rejeitou a tentação de se aproveitar do fim de contrato pra ir embora, ganhou um gordo aumento salarial e uma multa rescisória que indica àqueles que acompanham o SPFC que ele não vai embora tão cedo.

O que falta pra termos todos os craques jogando aqui mesmo no quintal de casa é uma conscientização dos fatos, e organização pra que isso aconteça. E isso envolve uma reforma na estrutura do futebol, além de investimentos em formação de profissionais para trabalhar na área administrativa do futebol – não é a toa que Rodrigo Caetano é frequentemente citado como o melhor dirigente esportivo do país.

Na Europa, no Oriente Médio, na Ásia ou preferencialmente aqui, no Brasil, esperamos ver Lucas, Ganso, Neymar, Casemiro, Danilo em ação por seus clubes e principalmente pela seleção. A geração que ressucitou o futebol brasileiro já se aposentou. Queremos ver agora a geração que vai imortalizar de vez o nosso futebol, não só dentro de campo, mas também fora dele.

Esperemos pra ver.

*Por Luis Felipe Ferreira

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One response to “O Futuro do Futebol Brasileiro

  1. Muito bom, cara.
    Te falei um dia: o futebol brasileiro tem que chegar a ser como o inglês, lá os jogadores são formados no clube e dificilmente saem dele.

    Vamos torcer e o que a gente puder fazer, a gente faz.

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