Opções em extinção

Começo de temporada é aquela história; sem uma pré-temporada decente, as equipes não se acertam, demorar a encontrar um padrão de jogo, os dirigentes muitas vezes bobeam e as equipes acabam notando – com os campeonatos em curso – que algumas peças estão fora dos eixos. Ou faltando.

Bom, decerto no seu time você não precisa pensar muito para encontrar uma posição que precise ser reforçada, seja porque você não goste das opções atuais ou porque quem a ocupa hoje esteja improvisado. E muitas destas posições, cada vez mais, sofrem com uma escassez de oferta crônica. Ao longo da história do futebol e com a evolução dos esquemas táticos, o “cabeça de área” e os “pontas” foram praticamente erradicados. As vezes eles voltam com tantas variações que nenhum comentarista se arrisca a dizer que tal jogar é um “ponta”, no máximo o chama de “atacante que joga bem aberto, COMO UM PONTA!”. O genuíno mesmo, foi pro beleléu.

Abaixo uma lista – ao meu ver – das posições mais difíceis de serem supridas hoje.

Esse chegava junto…

O “BEQUE DE FAZENDA”: Como bem lembrando neste blog no post do Arce (para lembrar, clique aqui) são raros hoje em dia os zagueiros que tem aquele estilo xerifão, que impõe respeito nos adversários, que não aliviam nas divididas e que dominam os truques de um carrinho bem dado. A opção por zagueiros com melhor saída de bola e que possam jogar nas laterais quando for preciso – tanto que muitas vezes volantes e laterais são colocados na “zaga” quando necessário – deixou o bom e velho botinudo quase sem emprego. Os que ainda resistem, sempre são lembrados pela violência e pela força bruta, e não pela sua capacidade de destruir jogadas. Como são paulino, que viu Lugano virar ídolo fazendo falta e dando chutão, nunca descartaria um “pitbull” pra minha defesa, desde que tivesse outro com mais categoria para sair com a bola é claro. Pra que acha que nunca mais verá um Gamarra, que roubava a bola sem fazer falta, ter um beque de fazenda que seja já deixa uma saudade…

O MEIA CEREBRAL QUE COMANDA O MEIO-CAMPO E CRIA JOGADAS: este é um cargo vago em praticamente todos os times brasileiros! Era a posição ideal para o clássico “camisa 10” que organizava toda a ação ofensiva da equipe, criativo e de bom passe e lançamento. Aquele cara que quando ninguém acreditava que sairia coisa alguma, enfiava uma bola entre os zagueiros para um atacante que só ele viu aparecendo livre! Ultimamente, ao meu ver, tivemos os dois Alex (o ex-Palmeiras e o ex-Internacional) e hoje quem tenta ser esse jogador são Ronaldinho Gaúcho, Paulo Henrique Ganso, Elano, Valdívia, Douglas, Montillo no caso desses últimos, uns com mais outros como menos competência, uns chegando mais no ataque do que compondo o meio-campo. Uma das posturas que levaram a esta quase extinção é que, sem boas opções na frente, muitos treinadores levam os meias praticamente para o ataque, o que não corresponde as especificações do cargo: ele deve “chegar no ataque” e não ser um atacante! Outra foi a descentralização do armador de jogadas, que hoje passa a ser não responsabilidade de uma peça, mas de todo o sistema ofensivo. Hernanes por exemplo era volante  que chegava para inventar opções de jogada e virou meia por conta disso, Jorge Henrique no Corinthians é um dos muitos atacantes que voltam para criar jogadas, os laterais caem pelo meio para participar da criação… isso pode ser bom para os times, mas estrangula o surgimento desses meias típicos.

O LATERAL VERDADEIRO: Você pode se perguntar; “como pode estar em extinção se cada time tem pelo menos uns 4 no elenco? Tá, vamos com calma. Primeiramente, é sabido que muitos dos jogadores que ocupam esse setor hoje são improvisados: zagueiros com alguma habilidade que são utilizados para ficarem plantados lá atrás impedindo o ataque adversário; meiocampistas (geralmente volantes) deslocados para se movimentarem no corredor periférico do campo, as vezes mais recuados, as vezes como alas. Aliás, o “ala” é que colocou a figura do lateral em maus lençóis. Muitos treinadores preferem utilizados para incrementar o sistema ofensivo, mesmo que não saibam marcar ou cruzar, pré-requisitos da função. A lateral que marca e avança quando tem espaço, chega ao fundo e sabe cruzar, é uma raridade hoje em dia.

 

O cara que resolve na área

O MATADOR: O cara, o “9”, o que empurra a bola pra rede. O centroavante letal não esta sumindo por mudanças táticas ou de postura, esta sumindo por pura e simples escassez de peças de reposição!! Tivemos os bons de bola como Roberto Dinamite, Careca, Evair, Romário, mas a tendênica atual é que só os medianos restaram. É o bom e velho “o cara é grosso mas faz gol”!! Pode ser burro, caneleiro, um cabeça-de-bagre, mas se fizer gols, tá valendo. O problema é que, geralmente, esta figura pode ser artilheiro de uma competição, de duas, de três, mas uma hora, deixa sua ruindade aflorar e para de fazer gols. Caso valido para o Souza, Deivid, Kleber Pereira, Washington… a coisas estava tão feia aqui que André Lima vira ídolo no Grêmio e Kléber ainda é um dos poucos que decidem, mesmo falando que não é essa sua função. O problema veio também com a intensa venda destes jogadores para a Europa, tanto que as soluções para esta posição tem sido procuradas lá fora: Keirrison, Loco Abreu, Liedson, Luis Fabiano, Fred, Cavenaghi… falasse de Adriano (quem arrisca?), Nilmar, Grafite… cá entre nós, parece que desde Alexandre Pato e André, não fizemos mais nenhum centroavante decente!! Será possível que não formamos mais estes jogadores (o que duvido) ou eles estão sendo mal aproveitados, muitas vezes jogando fora de posição ou queimados por times que não sabem também como armar jogadas?

POR YURI MOLEIRO

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5 responses to “Opções em extinção

  1. Pingback: Esse tal futebol moderno | FUTEBOL E MEMÓRIA·

  2. Excelente post!
    Sou um fã dos camisas 10 cerebrais. Gosto da parte tática e técnica do futebol (apesar de eu ser um becão de roça). Falta inteligência demais aos jogadores hoje em dia. Acho que, mais do que isso até: as categorias de base não incentivam mais a genialidade. É tudo mecânico hoje em dia. E assim o futebol (inclusive o meio campo) ficou mecânico.

  3. O MELHOR CENTROAVANTE QUE O BRASIL JÁ VIU JOGAR NO MEU MODO DE PENSAR QUE TINHA CLASSE ,FORÇA E ERA MUITO ESPERTO CHAMA -SE ( REINADO LIMA) O REI DO GALO DE MINAS. EU SOU SÃO PAULINO MAS PRA FALAR A VERDADE SE ALGUEM VER UM VIDEO COM OS GOLS DO REI NUNCA MAIS ESQUECE. ELE ERA CRAQUE E MERECE ESTAR NA LISTA DOS MAIORES DO BRASIL.

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