Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, e vice-versa

Queridos leitores, vocês devem ter reparado que o jornalismo no Brasil está mais para “jornalismo” do que para Jornalismo. Explico.

Reparem nas perguntas dos repórteres na saída do campo. Nada de mais. Você, eu, qualquer leigo poderia pegar um microfone, uma câmera digital e estar lá perguntando:

“E aí, feliz com a vitória?” (não, tô triste, queria ter perdido. No próximo me esforço menos).

(Depois de uma vitória por 6 x 0) “Dava pra ter feito mais?” (não, só esses 6 mesmo, era o planejado e cumprimos).

“Sua expulsão atrapalhou o time?” (não, futebol é a mesma coisa 11 contra 11 ou 11 contra 10).

Será que eles ficam o dia inteiro pensando nessas perguntas inteligentes? Por que não perguntam sobre o esquema tático, o que o técnico queria com a substituição, se o esquema do adversário matou o time…? Porque, meus queridos, inteligência é um bem para poucos. Alienar os espectadores e emburrece-los é a ordem da casa.

Vocês devem ter reparado, também, como véspera de clássico é um inferno. Perguntam para o Felipão sobre o Corinthians e perguntam ao Tite sobre o Palmeiras. Porra! Eu, palmeirense, quando vejo o Felipão, quero saber o que ele está preparando para o Palmeiras, as armas secretas, o esquema tático, o posicionamento, o jeito de jogar… Você, corinthiano, quando vê o Tite, quer saber o que ele armou pra cima do Verdão, como vai lidar com a desvantagem da torcida contra… Não é?

E as transmissões, meu Deus! Que me perdoem os verdadeiros narradores e repórteres, mas quando eu vejo um jogo do meu time, eu quero saber DO MEU TIME. Foda-se quem jogou antes, quem vai jogar depois. No máximo me interessam os cruzamentos da próxima fase. Mas, por favor, falem do MEU TIME. O resto do mundo não me importa. É a mesma coisa que você comer uma mulher, contar pro seu amigo e ele ficar falando como ela era quando ele a comeu. Excesso de informação, não serve pra nada.

Essas besteiras de “o Corinthians, em anos primos, véspera de feriado, jogando de amarelo, em domingos, como visitante, em semifinais de Paulistão, não vence o Palmeiras desde 1937” não servem pra porra nenhuma. Isso é balela de historiador. Cada jogo é cada jogo. Como diria Vicente Mateus, o poeta incompreendido, clássico é clássico e vice-versa. Então, tratem o clássico como deve ser tratado. Chega dessas baboseiras de historiadores que isso não ganha jogo. E, por favor, parem de criar cena onde não existe. Pacaembu não é e nunca foi casa de Corinthians, assim como não é e nunca foi casa do Palmeiras. Neste domingo, o mando será do Verdão, que terá 95% da torcida. Só isso. A cancha é municipal e é de quem quiser jogar lá e tiver o mando de campo. Só isso. De resto, a rivalidade permanece. Vale todo tipo de insulto, ofensa moral e oral, provocação, chute no ar, comemorar na torcida adversária, provocar o adversário, carrinho desleal, expulsão… Só não acho certo violência na torcida. Isso é de uma ignorância sem tamanho. Quer brigar, briguem. Arrumem um ringue, tirem a camisa e se matem. Mas deixem em paz quem está lá pra ver jogo e gritar.

E vamos pro pau, que domingo é dia de clássico. Um dos melhores do mundo.

Update: a frase Clássico é clássico e vice-versa é do Jardel, outro poeta incompreendido, não do Vicente Mateus. Obrigado ao Pescaldo pela correção.

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10 responses to “Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, e vice-versa

  1. tem reporteres que chega ao ridículo, o renato malricio prado e o cahê moita esses são terríveis como é que os amantes do futebol dá ouvido a profissionais tão ruim como esses dois citados, esses caras deveria ser banido da mídia brasileira são muito fracos eles colocam a imprensa brasileira no lixo a cada reportagem ou entrevista que fazem.

  2. Ótimo texto.

    Vi a partida ontem do RealxBarça e cheguei a uma conclusão: o Fenômeno como comentarista é um ótimo bebedor de cerveja. Ele é péssimo, não tem opinião sobre nada, é uma mula mesmo. Agora o Caio é um excelente comentarista, na minha opinião é o melhor da emissora em que trabalha.

    O nível intelectual dos jornalistas está em decadência, o que é um belo reflexo do Brasil como um todo.

  3. “Balela de historiador”….Assim vc ofende a classe!! Concordo: é balela, mas não de historiador. Pode ser de um antiquário ou de um supersticioso. Afinal, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa!

    • Opa…um amigo historiador pra me ajudar.
      Sim, esse negócio de ‘balela de historiador’ não cabe nesse blog, que também é meu, caro engenheiro!

      Ignorância perde minha simpatia.

  4. Concordo.

    Mas tambpém acho que com o nivel intelectual dos jogadores, estas perguntas são o maximo que eles conseguem responder.

  5. A qualidade do ensino brasileiro é muito bem representada pelos “jornalistas” tupiniquins. Vide o grande Chico Lang, que ao responder uma pergunta mais alfinetada de um telespectador, disse que queria que o futebol se danasse. Ué, não é o futebol que dá o sustento a esse senhor?

    • Ah, cara, o Chico Lang nem deveria ser levado a sério.

      Eu, como Corinthiano, parei de ouví-lo 5 minutos depois da primeira vez de tê-lo ouvido.

      O cara é personagem, é caricatura, dá opinião de velho xiita de bar.

      Ele pode ser qualquer coisa, menos jornalista. Aliás, não só ele, como vários outros.

  6. A única parte que eu discordo de você aqui é sobre o Pacaembu ser ou não a casa do Corinthians.

    A princípio eu concordaria com você, mas fuçando aqui e ali eu descobri que nem Felipão, nem Valdívia nem Kléber, importantes peças do time, queriam jogar no Pacaembu, porque era a casa do Corinthians.

    Independente do número de títulos que cada um tenha ganho por lá, o estádio é tradicionalmente associado ao Corinthians e, se tirarmos a torcida da equação, o Corinthians tem um ótimo aproveitamento lá dentro.

    Não que jogar no interior vá resolver, nem no Morumbi, isso é outra história.

    Só quero ressaltar que se o Palestra ainda tivesse de pé, o Pacaembu passaria longe dos planos palmeirenses, mesmo com 10 mil pessoas a menos.

    Só que é aquela… quando o jogo começar ninguém lembra disso tudo.

    • Meu camarada concordo com vc. Porém, o sapo gordo, Mustafá, esta começando seu projeto de demolição da alto estima palmeirense.

      A Wtorre vai sair, o Palmeiras ficará sem estádio, e acredite, o Corinthians terá o dele. Seremos, futuramente, o time sem estádio.

      O tumor ambulante do Palestra conseguirá mais um feito (não se squece que fez de tudo para derrubar o time com a política do bom e barato).

      De qualquer forma, com todos estes problemas, meu sangue esta em embulição desde que foram definidas as chaves do paulistão. Ganhar do freguês gambá é nossa maior alegria.

      T amo meu Palmeiras.

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