É Campeão…

Foto: Globoesporte.com

O Símbolo da Champions League era um detalhe. Tanto que a ópera, tradicional em jogos da competição, foi tocada apenas após o hino do Barcelona. Jogadores não se olhavam ao cumprimentar-se, a tensão era altíssima, ainda mais com a parcialidade de quase 100 mil espectadores – na verdade torcedores – no belíssimo Camp Nou.

A sequência de 4 jogos em 18 dias tinha escondida nas conversas de torcedores e jornalistas uma certa pontuação implícita para cada jogo, maior a dificuldade e a recompensa a cada partida. No fim das contas hoje era que se decidiria não só a temporada, mas essa incrível sequência, que se tornou praticamente um torneio paralelo, que só pode acontecer novamente se a sorte permitir. Por isso a briga hoje não era pelo acesso à final. Isso era só uma recompensa maior. A briga hoje era maior… é uma rivalidade histórica, especialmente acirrada recentemente, canalizada num mini-torneio que teve de absolutamente tudo: jogo feio, jogo lindo, domínio de um lado, domínio de outro, deslealdade, briga, reclamações, tática, e principalmente craques em campo, que sabiam exatamente o que fazer e sentiam o jogo com perfeição. Tudo isso ocorreu nos 4 jogos, e nada disso faltou hoje.

O arrogante riquinho da capital Real Madrid, que vem tomando baile atrás de baile do Barcelona nos últimos anos – exceção feita à Copa do Rei – comprou todos os melhores jogadores, chamou o melhor técnico e fez a única equipe no mundo que pode se arriscar a jogar de igual para igual contra o Barcelona, ainda que as chances de se tomar goleada sejam grandes, como aconteceu no primeiro turno do Campeonato Espanhol.

Mourinho – que veio representado pelo auxiliar já que está suspenso pela UEFA – resolveu arriscar e jogar marcando o ataque do Barcelona de forma pesada, da mesma forma que o próprio Barça joga na maioria dos jogos. O problema é que a equipe do filósofo – como Ibrahimovic o chamaria – Guardiola erra muito pouco. Eles têm um entrosamento de anos, e um preparo físico muito acima do normal. Então o Barça entra em campo e diz ao adversário: “eu aguento jogar assim o jogo inteiro, e você? Se você não aguentar, na primeira brecha eu vou te dominar e emplacar um ataque que envolva Messi, Xavi, Iniesta, Pedro, Villa ou até Dani Alves se eu estiver afim de variar”. O Real jogou acima do que pode, marcou em cima, tocou a bola, tentou infiltração, mas não conseguiu chutar efetivamente a gol nenhuma vez no primeiro tempo. Quando a euforia inicial acabou, a verdade apareceu e o Barcelona começou a crescer naturalmente. Foram 7 finalizações, com 4 milagres do goleiro campeão mundial Casillas, que havia frangado no fim de semana pelo Campeonato Espanhol.

Foto: Globoesporte.com

No segundo tempo a situação foi parecida, com o Real Madrid marcando em cima, tentando, mas não conseguindo produzir efetivamente nada, ou como dizem por aí, “errando o último passe”. Até que Pedro surgiu livre e bateu incrivelmente bem pra vencer Casillas e trazer o Camp Nou abaixo. Barça 1 a 0, gol de Pedro Rodriguez, jogador da base catalã. Aí foi a gota d’água. O Real batia com a conivência do juiz e quando tinha a bola se lançava de qualquer forma. Numa dessas, Di Maria deu um drible seco no mesmo Pedro e bateu na trave. No rebote, passou a bola pra Marcelo empatar e tentar um último respiro no jogo.

Mas foi só um sonho. O Barça continuou controlando a partida, o Real Madrid continuou batendo e o juiz provavelmente estava pressionado demais para expulsar alguém da equipe merengue. O golpe final veio minutos depois, um golpe absolutamente genial de Pep Guardiola, que vem se firmando como um dos grandes nomes do futebol atual. Diante de 100 mil torcedores e na iminência de vencer o rally de jogos entre as duas equipes, ele tira Puyol e coloca Abidal, jogador também da base Catalã que há 1 mês e meio sofreu uma operação para tratar um câncer no fígado. Nenhum juiz no mundo impediria a festa dos torcedores em aplaudir tanto o caminho de saída de Puyol quanto o caminho de entrada de Abidal, que é muito amigo de jogadores do Real Madrid também, como Casillas, que o homenageou na época da operação contra ordens internas.

1 minuto e alguma coisa depois, o juiz apita. Para o Real Madrid, ficou a comprovação de que é possível enfrentar qualquer equipe de peito aberto com uma equipe com tais jogadores, e a próxima temporada deve ser de afirmação para que isso aconteça – a não ser que os diretores dêem piti como fazem todo santo ano e demitam Mourinho pra chamar o… bom, deixa pra lá -, então olho no Real. Já para o Barça fica a festa, a confirmação de que é mesmo o melhor time no mundo, um dos melhores da história, e que vai ficar na memória de todos porque joga de maneira brilhante.

Todos os integrantes da comissão técnica e também os reservas comemoraram no centro de campo após o jogo.

Foto: Globoesporte.com

Ah… e valeu passagem pra final da Champions, tá?

*Por Luis Felipe Ferreira

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8 responses to “É Campeão…

  1. E a cavalice do Pepe, o “dossiê” do Real, os chiliques do Mourinho e o nariz empinado do Daniel Alves, Pique, Busquets

  2. Saldo final: 4 jogos, 2 empates (uma vitória na prorrogação do Real), 2 vitórias do Barça, um título para o Real (de importância menor), um quase assegurado pelo barça (campeonato nacional) e uma final para o Barça.

    Foram jogos que de modo geral foram muito disputados. O Real não encontrou – e teve muitas chances para encontrar – uma maneira de superar o Barça. Em todos os jogos foi inferior a equipe da Catalunha. TODOS. Algumas vezes só um pouco, o suficiente para não perder. Tivemos sempre mais posse de bola do barça, que pressionou o real no seu campo continuamente. Impressão final: Barça é melhor e ponto. E ainda tentam achar uma maneira de enfrenta-los de igual para igual. Quem melhor fez isso este ano foi o Arsenal no segundo tempo na inglaterra e no segundo tempo no Camp Nou, antes de Van Pierce ser expulso.

    E boa sorte para quem os enfrentar!!

    • Então foram 1 vitória para Real, q suponho tenha valido um título, e 2 pro Barça + 1 empate, correto?
      Pelos resultados, Real foi mais eficiente.

      • é que em termos de campeonatos, o Barça tá ganhando de longe o Espanhol, perdeu a Copa do Rei e eliminou o Real da Champions…

        nesse sentido o Barça sai vencedor.

        • ganhando de longe o Espanhol significa q bateu em vários (quase todos) outros independente do resultado com o Real, perdeu a Copa do Rei, mas eliminou Real com uma vitória e 1 empate.
          Ainda vejo Barça com um time superior ao do Real, mas pelos resultados, Real me parece que saiu no lucro.

          Perceba que questiono pelo pouco que vejo, porque não acompanho campeonatos e times do exterior.

        • em termos dos 4 jogos o Real foi sim mais eficiente, até porque o jogo em que perdeu de 2 a 0, só perdeu porque o Pepe foi expulso – pra mim justamente, vai saber a opinião de outros.

          no Campeonato Espanhol o Barça perdeu só 2 partidas, se não me engano, e no primeiro turno colocou 5 no Real Madrid.

          então a gente pode colocar 1 campeonato pra cada e 1 vaga de final valiosíssima – mas ainda longe de estar ganhar – na mão do Barça.

          esse é o motivo da comemoração, a final da Champions.

          lembra do que aconteceu em 99? o Corinthians foi eliminado da Libertadores pelo Palmeiras e depois ganhou o Paulista em cima do mesmo Palmeiras e o Paulo Nunes disse “ah, vai ganhar a Libertadores”..

          é mais ou menos nesse pé que estão as coisas.

      • Ressaltei o empate (com vitória na prorrogação) para salientar a incapacidade do Real de superar o Barça nestes confrontos hehehe

        YURI MOLEIRO

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