As consequências de uma pré-temporada fraca.

Eu sou um daqueles corneteiros do Paulistinha. Acho a competição muito longa, desgastante tanto para o espectador quanto para os jogadores e blábláblá… mas minha maior crítica aponta para um problema que a anos assombra nossos times; a precarização da pré-temporada!!

Para começar bem o ano...

Vamos observar o ano passado. De modo geral, foi um ano um pouco atípico por causa da Copa, mas serve de referência para o questionamento. Os Campeonatos Estaduais foram realizados de 17 de janeiro até 2 de maio, com 23 datas disponíveis para cada federação, que as utilizou de acordo com a fórmula de cada competição. O Campeonato Brasileiro da Série A, vencido pelo Fluminense, teve 38 rodadas do dia 8 de Maio até 5 de dezembro. Entre este período, Copa do Brasil, Libertadores e Sulamericana para os clubes. Com o fim da temporada, os jogadores saíram de férias (uns vão passear, outros ficam com a família, outros ficam jogando peladas beneficentes ou não pelo país) e voltaram aos trabalhos dia 3 de janeiro (com pequenas diferenças de um clube para outro). E, neste ano de 2011, os Estaduais deveriam começar a partir do dia 16 de Janeiro.

Com uma alteração aqui, outra ali, o calendário da CBF conta com APENAS duas semanas (na média dos anos anteriores e neste) para a pré-temporada.

...é preciso se preparar!!

Este periodo de treino antes das competições é crucial para qualquer equipe, e é valorizadissimo por treinadores. É considerado a base de sustentação física, técnica, tática e até psicológica de uma equipe. Mesmo que voltem bem do descanso, os jogadores ainda necessitam de alguns dias para perder ou ganhar de um a três quilos (nos casos considerados normais) e recuperarem o condicionamento físico. Para encontrarem novamento fôlego, mobilidade e velocidade aceitáveis, demoram no mínimo uns dez dias, isto se o atleta já voltar na ponta dos cascos! Focada na recuperação do atleta, não resta muito tempo para outros importantes treinamentos físicos (fortalecimento muscular, recuperação de pequenas lesões comuns na volta das atividades, etc), técnicos (o be-a-bá  da bola; passe,  cruzamento, finalização, etc) e táticos (adaptação ao esquema escolhido, marcação, contra-ataque, formação ofensiva, etc), que deverão ser desenvolvidos já com as competições em curso.

As consequências disto, principalmente na parte física, são visíveis: olhe para o departamento médico do seu time. Veja – e reflita – se  sua equipe está ou não preparada para uma longa sequência de jogos, coisa pela qual todo time que queira ser campeão deve passar. Acredito realmente que a resposta da maioria será um sonoro NÃO. Se o time não contar com um elenco realmente forte, perde muito rendimento durante as disputas e se enfraquece, podendo ceder a um resultado negativo em momentos inoportunos. Olhem a diferença entre Santos, Fluminense, Palmeiras, São Paulo (recheados de desfalques por contusão e com os jogadores titulares, ao meu ver, demonstrando cansaço nos minutos finais das partidas) e Corinthians por exemplo. A equipe do Parque São Jorge, tem 6 jogos a menos este ano do que seu adversário pelo título paulista, o Santos. Parece pouco, mas uma conta simples revela que isto significa cerca de 30% de partidas a menos do Timão em relação ao oponente. Fora o desgaste de viagens e menor tempo de recuperação física. Por isso cravo que, no real ano do centenário, a final do estadual é uma chance de ouro para os jogadores do Tite conquistarem um título este ano. O Santos é um time mais técnico, mas fisicamente o Corinthians esta bem mais afinado!! Podem jogar explorando esta vantagem e aumentar suas chances de sucesso. Eles não tem nada a ver com o cansaço do Santos, e devem tem em vista como aproveitar melhor esta condição.

Tite orienta o grupo...

Ressalto um fator, antes que alguém se precipite: com isto não estou fazendo uma apologia do trabalho do CT Joaquim Grava em relação ao do CT Rei Pelé. Acredito que se o Corinthians estive na mesma rotina que o Santos as chances de apresentarem cansaço e lesões assim seriam as mesmas. Não estou criticando este ou aquele departamento deste ou daquele clube; a minha critica é ao fato de que com uma pré-temporada tão curta, os clubes que forem submetidos a mais partidas correm o sério risco de chegar as fases decisivas fora de suas melhores condições.

Algumas mudanças favoreceriam muito os clubes, os jogadores e os torcedores, que poderiam ver jogos de mais qualidade… mas CONMEBOL, CBF e – no caso – Globo ainda não parecem se importar com estes pormenores. Lembrando que na Europa, que também tem jogo no esquema “quarta-domingo”, a maior parte dos campeonatos começa em no fim de Agosto e termina em Maio. Junho, Julho, boa parte de Agosto… mais descanso e cerca de 30 dias de pré-temproada, isso quando tem uma competição na época, como a Eurocopa…

... que deve investir na velocidade contra o Peixe.

POR YURI MOLEIRO

P.S: Só para lembrar, jogadores como Elano, Luís Fabiano e Adriano, além dos problemas físicos sofridos no passado, vinham em final de temporada enquanto nós estamos apenas começando, e normal que tenham lesões.

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