Voto de confiança?

Nesta segunda-feira, contrariando o que foi amplamente noticiado na mídia desde sexta, a diretoria do São Paulo confirmou a permanência de Paulo César Carpegiani no comando técnico do futebol do clube.

O presidente Juvenal Juvêncio se reuniu com o treinador e o meio-campo Rivaldo – que meteu a boca no trombone após a derrota para o Avaí – numa busca por solucionar o conflito entre os dois. Ambos seguem no clube e o jogador arcará com uma multa de 10% do seu ordenado até segunda ordem.

Surpreendente?

Não

Estranho?

Sim.

O que poderia parecer uma mostra de comando por parte do presidente do clube vai ao chão ao lembrar que foi o responsável por promover a noticia da quase certa demissão do técnico na semana passada; o próprio presidente respondeu a repórteres no aeroporto, logo após a aterrissagem do clube depois do jogo em Santa Catarina, que um dos dois – treinador ou Rivaldo – precisariam sair, que eles não poderiam mais trabalhar juntos e que estaria, inclusive, a procura de um novo treinador.

Falou demais. Novamente.

Juvenal é um tagarela contumaz, como vários membros da diretoria, entretanto, declarações como esta são responsáveis por criar um ambiente intempestivo no clube, ainda mais quando outros dirigentes e conselheiros, “autorizados” pela atitude do presidente, optam por também conjecturar abertamente (por abertamente entenda-se através da imprensa que, com total razão, divulga) decisões que deveriam ser discutidas internamente antes de qualquer anúncio mais contundente.

Ficou a confusa impressão de que o respaldo ao treinador não vai tão longe assim, e que pesou mais a alta multa contratual contra uma possível demissão (cerca de 1 milhão de reais) e a falta de bons nomes para ocuparem seu posto do que a confiança real dos dirigentes no projeto técnico e atlético dirigido por Carpegiani.

Rivaldo falou o quis e pagou pelo que disse. Certamente foi sincero e pagou por isso. Paga a multa, mas não se arrepende. Dá parte dele, esta correto.

Carpegianiganha nova chance e deve entender a permanência não como uma sinalização positiva ao trabalho feito até então. Mudanças devem ser feitas no time sim, e ele deve ser o primeiro assumir isso. Não é um voto de confiança que ele recebe, é um “senão”.

Conflitos resolvidos?

Após este desfecho, cabe ao clube realmente preparar-se para o Brasileirão. O elenco é bom, mas não o suficiente para títulos. O treinador não me impressiona, mas não há nada melhor por ai no momento, além da questão financeira pesar sem duvida. Mesmo assim, tenho sérias duvidas quanto às possibilidades de sucesso desta modo de trabalho. O desgaste é grande e muito estrago já foi feito. Até a estreia no nacional contra o Fluminense no Domingo, muita conversa, um pouco de treino, e provavelmente, nenhum milagre. A diretoria precisa trabalhar menos e buscar os holofotes apenas quando for conveniente. Senão vira a casa da sogra, e já estamos quase lá.

Com a zaga enfraquecida pelas saidas de Miranda e Alex Silva talvez aja mudança de esquema tático. Os três zagueiros pode ficar no passado, talvez aja mais espaço para os jogadores do meio. No ataque, enquanto Luis Fabiano não volta, a opção ainda fica em dois jogadores de velocidade, sem um centroavante, coisa que me desagrada se não houver mais presença ofensiva dos volantes e laterais. Novamente somos um time em construção, e isto, em Maio!!

É hora do São Paulo definir se quer terminar bem o ano ou se deseja passar a temporada desfilando como time mediano.

POR YURI MOLEIRO

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One response to “Voto de confiança?

  1. Se Palmeiras e SPFC conseguirem no Brasileiro algo melhor do que lutar contra o rebaixamento, ficarei muito surpreso (e aliviado, até).
    Esses dirigentes (principalmentes dos dois times) precisam primeiramente de uma régua cada um. Parece que um sempre quer mostrar que tem o pinto maior que o outro.
    Por que não focam o bem do clube e calam a boca, porra?
    No caso do SPFC, não acho que Carpegiani deve sair. A multa ao rivaldo foi excelente. Não é porque é um medalhão que é o dono do time – aliás, tá bem longe disso. Se a diretoria não der poder ao treinador, quem vai mandar? O time?

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