Sobre os caprichos do acaso

2011…Tempos de internet, de circulação quase instantânea de informações, de vídeos em HD, fotos perfeitas, transmissões com um milhão de câmeras em ângulos diferentes. Tempos onde qualquer um (que tenha internet), em qualquer lugar do planeta, a qualquer hora, pode dar sua opinião, cornetar um time de futebol, falar sobre o governo da Líbia, sobre a aposentadoria do Fidel e – os mais famosos entre os assuntos – quem saiu do Big Brother e como é legal a música nova do Restart.
Na Libertadores desse ano, só um brasileiro sobreviveu às oitavas de final: o Santos. Algumas peças pregadas pelo futebol deixaram um ponto de interrogação nas pessoas. O Internacional perdeu para o Mazembe no Mundial 2010, o Corinthians caiu antes da fase de grupos da Libertadores ante ao Tolima(!). Nas oitavas, Internacional, Grêmio, Cruzeiro e Fluminense caíram…no mesmo dia! Um dia depois do Santos passar com sufoco (muito sufoco) pelo América do México.

Seguindo, passou pelo Once Caldas com 1 x 0 e um 1 x 1. Sufoco! Classificado para as semi-finais, o Santos pegou o Cerro Porteño. Ecos da década de 60…ecos…
Uma vitória de 1 x 0 ajudou o time, que depois foi ao paraguai onde empatou 3 a 3. Um jogo que classificou o Santos, mas com muita emoção a torcedores dos dois lados, bolas na trave e pressão da torcida da casa.

Nos dias 15 e 22 de Junho, será decidido o título da Libertadores. Os adversários? Santos, que passou pelo Cerro, e…Peñarol, que passou pelos argentinos do Vélez. Um capricho do acaso.

1962…
A época já era um pouco menos Elvis e um pouco mais Beatles. J.K. já havia trazido os fuscas e os fogões para o Brasil, Brasília já caminhava como capital. As coisas estavam ficando quentes em Cuba – tanto que, no fim daquele ano, o Mundo assistiu à crise dos mísseis. Na música, além da Invasão Britânica, o Brasil via a Bossa Nova fazer mais e mais sucesso e os futuros tropicalistas começarem a dar as caras. Na Baixada Santista um time – que vinha tomando forma desde meados da década de 50 – já acumulava títulos, gols e jogadores geniais. E, falando de futebol, aquele foi o ano do bi-campeonato da Seleção Brasileira. Fomos ao Chile quase com a mesma Seleção de ’58. Pelé? Esse quase não jogou. A Copa de ’62 foi de Garrincha. Mas o camisa 10 do Santos teria, mesmo assim, mais para o fim do ano, seu momento de glória. Muita glória.

O Uruguai, por esses anos, já não tinha mais o brilho de antes. Já não era a memorável Celeste Olímpica. Eu sei…eles ganharam duas medalhas olímpicas de futebol seguidas, depois ganharam a primeira Copa do Mundo e acabaram com o sonho brasileiro em ’50. Sim! Mas em ’62 os tempos eram outros. Um time apenas despontava e mantinha a honra uruguaia. O Peñarol! Eles tinham, entre outros craques – Gonzáles, Rocha, Caetano -, o equatoriano Alberto Spencer. Não sabe quem é ele? Clica ai no nome do rapaz e veja o nosso artigo aqui do blog sobre ele. Para resumir, ele é o maior artilheiro da história da Libertadores, o troféu da competição (hoje em dia) leva o seu nome. Era um grande time.

O Santos, olha só! Enfrentou no último jogo da fase de grupos, valendo uma classificação, o Cerro Porteño. Pelé estava com problemas no joelho, por isso começou no banco. O Peixe saiu na frente, o Cerro peitou os brasileiros e empatou. Não houve outra opção: Pelé entrou. O jogo terminou 9 a 1. Santos classificado…coincidência ou não, em cima do Cerro.

Depois de passar pelo U. Católica, o Santos chegou a finalíssima. Quem seria o adversário? Adivinhem…por acaso é foi o Peñarol! Foram três grande jogos. O Santos ganhou o primeiro, em Montevidéu, por 2 a 1. O segundo, na Vila Belmiro, ficou 3 a 2 para o Peñarol, mas com uma lambança do árbitro que não colocou na súmula o terceiro gol santista – que daria o título ao Peixe. Com isso, foi necessário um terceiro jogo. Foi em Buenos Aires. Lá, o Santos mostrou de vez o quanto era superior e meteu 3 a 0. Um gol contra e outros dois dele…do Rei…do eterno camisa 10…de Pelé!

Como será esse ano? Vale lembrar que o derrotado pelo Santos em ’63 foi o Boca, que se “vingou” em 2003. Será que o Peñarol, que ganhou seu último título em 87, vai se vingar?

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5 responses to “Sobre os caprichos do acaso

  1. Excelente. Gosto de posts sobre história.
    A única ressalva que faço é sobre o ano 1962: a Bossa Nova estava saindo de cena, quem tava estourando era a Jovem Guarda (quem começou em 1957 com a Celly Campello, que gravou 3 cds e aposentou antes de Roberto Carlos gravar o primeiro). E os tropicalistas apareceriam da metade de ’70 pra frente (inclusive Roberto Carlos participou timidamente do movimento).

    • A Bossa Nova começou em 58, praticamente. Em 62 era menos pop, mas fazia cada vez mais sucesso no mundo. Os tropicalistas começam mais forte em 68.

      Valeu pelo comentário, Brunão!

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