Trabalho é trabalho!

Tanto furor com o tal “caso Kléber” me fez pensar um pouco sobre se torcem ou não os jogadores de futebol. Vejo aqui tudo completamente de fora, já que eu não conheço pessoalmente nenhum desses atletas.

Bom, a princípio (e por fim) o jogador de futebol é uma pessoa como outra qualquer com um trabalho com outro qualquer (no que diz respeito a ter direitos, trabalhar, receber pelo trabalho). Este trabalho, via de regra, começa com a puberdade (poucas vezes um pouco depois) numa carreira que tende a ser curta, mas intensa. Curta em relação as outras, o que intensifica a escolha da camisa pelo salário. E intensa por ter jogos duas vezes por semana, férias curtas, dias e dias de concentração, mas principalmente pela troca frequente de clubes.

Pensando em outros ramos, que não envolvem a paixão religiosa que o futebol carrega, podemos imaginar tranquilamente um intercâmbio. Desde criancinha o Fulano queria trabalhar na Apple, mas depois de formado o Google ofereceu mais dinheiro e lá foi ele. Ou então, não temos problema nenhum em assumir que o Luciano Huck não usa NielyGold, nem que a Sabrina Sato não veste Sawary.

Agora vamos pensar a carreira de um jogador de futebol. Quase sempre de origem pobre, os futuros jogadores (e jogadoras) participam de mil peneiras, jogam aos olhos de mil olheiros, esperando que alguém os contrate. Desde a Juventus da Mooca até o Santos, passando pelo Ipatinga e Vila Nova, qualquer oferta de emprego é a chance da vida de um garoto em início de carreira.  Ir para a base de um time é tão difícil nesse mercado tão concorrido (muito mais que o vestibular da Fuvest) que um garoto não pode se dar ao luxo de escolher. Lembrando que nós escolhemos nossos times muito cedo, com certeza esses jogadores começam a trabalhar torcendo para algum time ou, os que começam mais cedo (com sete, oito anos),  já torcem exatamente para o clube no qual treinam. Mas isso não se mantem, se dilui sem maiores traumas.

Se Lucas e Neymar começaram na base dos clubes que atualmente defendem sem nunca ter saído, eles são exceções. Em geral esses jovens migram de clube em clube até acertar sua carreira (e isso não para na época de profissionalismo). Então, entre o torcer, que já começou a se diluir nos primeiros dias de peneira, e o crescer na carreira, é claro que todos escolhem o segunda opção. Torcem para o clube que defendem. Na minha opinião humilde, é exatamente isso que acontece: os jogadores podem até ter um clube do coração antes de entrar na categoria de base, ou torcer para o clube que primeiro os acolheu, mas o mercado é muito difícil e cruel, muito instável, e o “torcer” se perde, fica diluído e fraco

Depois de diluído, o jogador torce mais é para ele mesmo. Para não se machucar, para ser escalado como titular, para fazer bons jogos, para conseguir bons contratos, para ir para Europa, para a Seleção. No limite, torce para o clube que está defendendo no momento e, se não for atrapalhar seu trabalho, simpatiza silenciosamente com o antigo clube do coração.

Para encerrar, digo que é ai que o inverso acontece. Jogadores que já não torcem muito para clube algum, por conta de conquistas e de relacionamento com a torcida acabam tornando-se fanáticos . O Corinthians tem muito disso: com o Ronaldo goleiro, Dinei, o fanfarrão Neto e -mesmo que com outros fatores envolvidos – o Ronaldo Fenômeno. O Palmeiras tem o caso do Marcos, o São Paulo do Rogério Ceni. O Santos tem notadamente o caso do Pelé, do Léo, do Giovanni. E por ai vão outros tantos casos.

Trabalho é trabalho, paixão é paixão.

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