Intervalo:

Pausa no campo e bola, vou colocar aqui dois textos meus sobre a situação na USP. Um desconstruindo argumentos vazios que estão sendo colocados e outro falando sobre o que os estudantes deveriam requisitar de verdade:

1-  Os argumentos apressados atrasam o diálogo e o avanço nas questões da universidade. Vamos desemperrar a discussão:
– Vocês são vagabundos que só querem fumar maconha sem problemas:
Na verdade não! A esmagadora maioria dos alunos da FFLCH estuda e trabalha, tem cerca de 30 horas de aula por semana + 30 ou mais horas de leitura e redação (algo perto de 300 páginas por semana). O estudo começa antes da aula, passa por ela e vai até depois, tomando muito tempo. Mesmo assim, muitos ainda trabalham quatro, seis e, muitas vezes, oito horas por dia. Sobra tempo para CA, Atlética, Coletivos e Assembleias – onde nos organizamos e pensamos nossas opiniões antes de sair por ai falando. Não somos vagabundos, nem baderneiros nem nada parecido. Se tivéssemos a cobertura midiática devida, estariam mostrando na TV os cartazes de organização da ocupação do prédio (dê descarga, separe o lixo reciclável, não desorganize), além das limpezas diárias que se fazem lá.
– Tudo bem, mas temos que ser a favor da segurança, PM no campus sim:
PM não traz segurança nem fora do campus. Se PM é segurança, para que empresas de segurança privadas fazendo ronda em bairros chiques? Para que seguranças particulares, cercas, alarmes, grades, carros blindados. Isso tudo em áreas policiadas. Além disso, a PM de São Paulo mata mais que todas as polícias dos EUA juntas. Muitas áreas tem menos problemas com segurança, mas são sempre bem iluminadas e cheias de gente – esse é o ponto. Alunos e professores já manifestaram soluções alternativas (mais abaixo sobre a guarda univ.) como iluminação massiva e eficiente de todo o campus.
– Mas e a morte, o tiro? Os roubos?!
O rapaz que morreu na FEA resistiu a um assalto e foi, sim, assassinado no campus. Maaas, nota importantíssima: havia PM trabalhando dentro da USP naquele dia. De nada adiantou. A garota era aluna, mas levou um tiro em uma área também policiada longe do campus da USP. Levar a PM em ações ostensivas por conta de furtos e roubos não faz sentido, ainda mais podendo evitá-los com uma guarda universitária concursada, com plano de carreira, treinada, em grande número, com ala feminina treinada para lidar com casos de abuso sexual e estupro.
– Sem polícia, ok! Mas somos acima da lei então?
Não! Não é isso nem perto disso. O que é defendido é a autonomia da Universidade. Como ricaços defenderiam seus condomínios fechados caso eles estivessem cheios de policiais. Autonomia que tem os parlamentares. Não é privilégio, é autonomia da Universidade e seu entorno, o campus como um todo.
– Mas então a USP vai ser uma ilha dentro do Estado?
a) Não! A USP é um lugar público, aberto a todos – inclusive dentro das salas de aula. Os portões, muros e restrições de entrada é que aproximam a USP de uma ilha. Se a ideia é aproximar, grudar a USP da sociedade, sem privilégio nenhum: vamos então liberar a entrada de qualquer cidadão a qualquer hora no campus e acabar de vez com o vestibular.
b) A ação da PM está afinada com as ações políticas do reitor João Rodas em seu processo de privatização da Universidade. Não é lenda, não é mania de perseguição, não é inventado. Lutamos contra algo real aqui. Propostas de fechamento de cursos que não dão lucro, abertura de cursos pagos usando a infra-estrutura e os docentes da USP, tudo isso faz parte da privatização gradual – que também se manifesta nas terceirizações (que, alias, no caso da guarda universitária colabora com os sumiços de celulares, laptops, etc).
– Mas e as ilegalidades?
Caso queiram ser legalistas, sejam coerentes. A maconha é um problema, ok, é proibida, não estamos ocupando a Administração para legalizá-la, já mostrei aqui que o problema é outro. Mas se querem tanto falar de legalidade, vamos defender que a polícia tome e reprima toda venda de bebida, que enriquece os CAs e Atléticas da Veterinária, da ECA, da Poli, da FEA e de tantas outras faculdades. Não pode, afinal! Vamos também defender que a PM apreenda todas as máquinas de fotocópia, todas as Xerox, afinal ferem os direitos autorais do autores diariamente – mesmo que sejam vitais para nossos cursos e, por fim, vamos parar todos de baixar músicas sem pagar. Sejam pelo menos coerentes, usem bons argumentos – que não esses ai de cima -, esqueçam um pouco a maconha, ela não é o foco. Pensem criticamente, absorvam as informações sem preconceito, não se armem para ouvir o que temos para falar. Esse debate todo acontece faz muito tempo na FFLCH, por isso já temos opiniões construídas e bem baseadas. Juntem-se a nós mesmo que discordando.

2- Democracia é a verdadeira necessidade imediata:

Nós [contra Rodas e a PM no campus] estamos mesmo unidos? Bom…não! Mas, ainda assim…estamos requisitando a coisa certa? Cortando a raiz do problema? Acho que também não.
A polícia NUNCA foi proibida de entrar na USP, ela tem livre acesso. A Universidade é pública para todo mundo. Fixar-se no campus ostensivamente é que fere a autonomia universitária. Para crimes como assalto a banco, estupro, carro roubado: portões abertos para a polícia – ela inclusive estava lá quando o rapaz da FEA morreu. O verdadeiro problema é que na USP NÃO HÁ DEMOCRACIA, a votação para reitor envolve quatorze representantes dos alunos, um dos professores, três dos funcionários e 82 (sim!) da diretoria – pessoas que se perpetuam nos cargos e impedem que os outros grupos tenham voz política. Em uma comunidade com cerca de 80 mil alunos, 15 mil funcionários e 5 mil professores, isso é um absurdo. E é por conta dessa DISPARIDADE INJUSTA é que a ÚNICA SOLUÇÃO para agir politicamente dentro da USP é fazer PIQUETES, GREVES E OCUPAÇÕES. Por isso temos greves anualmente, volta e meia uma ocupação e piquetes recorrentes. Não há outro modo de agir politicamente, não está posta outra opção. Pior ainda…
O que acontece agora é que a opção, que não é a melhor mas é a única, esta sendo podada. Rodas usa a PM repetidamente: na Fac. de Direito para retirar de lá o MST (chegou a fechar a faculdade para que alunos manifestantes não entrassem), na entrada da polícia na USP em 2009 (foi o articulador) e mais uma vez esse ano. Para pintar uma demão de tinta democrática, ele diz ter sido o convênio com a PM votado por unanimidade no CO (Conselho Universitário). O representante dos funcionários já negou publicamente em assembléia que isso seja verdade. Não colou, Rodas, não colou.
O reitor não vai parar de aos poucos privatizar a Universidade, não vai fazer concurso para guarda universitária – melhorando a segurança- já que eles todos enchem os bolsos com as licitações da terceirização, ele não vai desfazer um convênio com a PM que o ajuda a reprimir os movimentos estudantil e sindical, convênio que faz parecerem bandidos vagabundos aqueles que lutam pelo que acreditam.
Infelizmente ainda lutam pela coisa errada:

Antes de FORA PM
Antes de FORA RODAS
DEMOCRACIA, POR FAVOR!

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