E o Mundial?

Ééé! O Mundial de Clubes já começou, o Kashiwa (com Jorge Wágner e Nelsinho de treinador) vai enfrentar o Santos na quarta. Virtualmente vamos ter, sim, o tão esperado Santos e Barcelona no Domingo. Depois do que aconteceu com o Inter ano passado, os jornalistas estão tomando muito mais cuidado e falam agora no “possível Barcelona e Santos”. Apesar dos muitos dedos para tratar do jogo tão esperado, Juca Kfouri já disse que é mais fácil o Santos ganhar do Barcelona do que perder para o Kashiwa (onde eu assino?)

Claro que  ‘Santos e Barcelona’ não vai ser o jogo do século. Precisamos acabar com essa ilusão. Vão se enfrentar dois times: o melhor time do Mundo, melhor time dos últimos 30 anos, contra o time de duas das joias mais talentosas do mundo do futebol – acompanhadas de bons coadjuvantes. O Santos sem Neymar e Ganso vira um time comum. Fosse o futebol brasileiro mais organizado, mais endinheirado (mais ainda), mais sério [nos bastidores], esse Mundial nos daria o prazer de ver o jogo do século, daqueles para rever até a morte. Mas não é o caso!

O Peixe tem Neymar, e isso já torna qualquer jogo bonito: ele tem explosão, dribla em velocidade, com um raciocínio incrível, bate com as duas pernas, tem força e precisão no chute além de ser, e isso é o mais importante, imprevisível. Junto dele joga o Ganso, que, se jogar seu máximo, pode decidir um jogo com os passes precisos e impossíveis. Junto da dupla, o alvinegro tem Borges (artilheiro matador e oportunista), Elano (jogador de Seleção, eficiente, batedor de faltas e que sabe carregar o piano), Arouca (marcador excelente e que sabe sair com a bola), Danilo (que consegue se destacar em jogos importantes, faz gols decisivos), a experiência e raça do Léo e Rafael, goleiro que cresce nas decisões. Esses são coadjuvantes de gala que colocam o Santos em um patamar mais alto do futebol.

Mas, caros, contra esse Barcelona não existe saída, alternativa. Não existe! Vamos pegar como exemplo o maior adversário do Barça – para que a rivalidade deixe o jogo mais igual: o Real Madrid. Nesse time, joga um dos jogadores mais completos da atualidade, Cristiano Ronaldo. Além dele, um seleto grupo da Seleção espanhola (atual campeã do Mundo). A cereja do bolo: Mourinho, o técnico mais tático, mais viciado em trabalho, mais obsessivo e disciplinado. Esse Real Madrid, maior rival do Barça, invicto a 15 partidas, com 3 pontos a mais que os blaugranas e um jogo a menos, com inúmeros (muitos mesmo) jogadores da mais alta qualidade extremamente afinados, treinado por Mourinho…perdeu. Esse tal José Mourinho tem no Barcelona o time para o qual mais perdeu na carreira, treinando o Real Madrid ele já tentou de tudo, de tudo!, para vencer. No último jogo chegou a sair na frente logo no começo….só que ai o Barcelona mudou o estilo de jogo logo aos 18 minutos – Guardiola teve a audácia de falar que já queria mudar o esquema aos 3 minutos, mas esperou depois de tomar o gol -, e com isso empatou, virou e abriu um terceiro gol. Esse Barcelona é melhor que o do Ronaldinho Gaúcho, de longe, é melhor que o do primeiro ano do Guardiola, é melhor até mesmo do que o Barcelona do ano passado. Sem o Ibra, David Villa mais enraizado no time, a chegada de Fábregas…tudo isso coordenado pela incrível capacidade técnica e tática alcançada em 2011, com uma ocupação de espaços extraterrestre, uma marcação invejável, um ataque fatal e deslumbrante, com mudanças de tática drásticas e repentinas (e que dão certo). O Barcelona 2011/2012 é o ápice do futebol moderno.

Como comparar esse time com o que acontece no Brasil? É impossível! Muricy já disse: eles

Se o Durval parece galã, tudo é possível

já jogaram contra russos, ingleses, italianos, espanhóis, ninguém da jeito. Alguém pode falar que eles perderam para o Getafe, mas que estímulo eles tinham naquele jogo? É o tédio da vitória que às vezes desliza. Mas meter 3 a 1 em um clássico, nas condições desse último, é extraordinário. E outro 3 a 1 contra um poderoso Manchester United na final de Champions League, mais ainda.

O Santos tem, para mim, o futuro melhor jogador do Mundo, o futuro melhor jogador da Copa (talvez não ainda em 2014, mas com certeza em 2018): Neymar. Tem outro jogador diferenciado: Paulo Henrique Ganso, que tem total capacidade de mudar um jogo em um ou dois passes. E junto deles outros tantos que eu já falei. No comando, o vitorioso Muricy Ramalho, também conhecido como melhor técnico do Brasil – e se o cara é bom desse jeito treinando times brasileiros, nas condições aqui dispostas, é porque o cara é bom mesmo. E é isso! Não que seja pouco, pelo contrário, mas é isso ai!

Não há time nenhum no Mundo, nem time nenhum nos últimos anos que se compare a esse Barcelona. Arrisco dizer que só o Flamengo de 81, a Seleção de 70, a de 82, o Santos de Pelé, Pepe e Coutinho, o Botafogo do Garrincha, o Cruzeiro do Tostão, o Inter do Falcão, o próprio Barcelona de Stoichkov. Mas isso tudo são sonhos, só podemos imaginar tais jogos. O que tem possibilidades altas de ser real é: Santos de Neymar X Barcelona (a.k.a futebol mais sublime da história recente). O segundo vai fazer o que sabe (e que ninguém mais consegue), o primeiro vai se divertir e jogar o melhor que pode.

Mas estamos falando de futebol e eu digo: passe de trivela do Aloísio com gol do Mineiro em 2005; gol do Gabiru (sim!) em 2006; gol meio sem querer do Muller em 93…isso para falar só de Mundiais interclubes.

Aah, futebol, por isso que eu te assisto!

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