Polícia militar, parabéns pelo show!

A Policia Militar brasileira sofre de alguns problemas. Gestada em tempos de ditadura, ainda traz um ranço da opressão e autoritarismo arbitrário no treinamento, na abordagem e ação dos ainda hoje. Dizem agir com truculência por estarem sempre correndo perigo, por precisarem se proteger. Acredito que haja bons policiais, mas já vi baterem em crianças de rua na Praça da Sé – que perigo corriam nessa abordagem? Se existem bons policiais, com bom senso e prudência, policiais que sabem trabalhar e usar o poder que têm, são raros. Isso porque desde o treinamento interiorizam algumas palavras chave: opressão, autoritarismo, racismo e a homofobia latente dos militares. E, claro, sem esquecer dos péssimos salários.

Bom, essa polícia militar é ainda pior em São Paulo. Aqui, a PM mata mais que todas as polícias norte-americanas juntas e recebe ordens de um ou dois partidos autoritários e bastante reacionários. Há anos, Alckimin, Serra, Kassab e companhia  usam a polícia para fins políticos (como vimos no Pinheirinho, na USP, enfim).

E essa polícia que no ano passado recebeu dos líderes das torcidas organizadas um mapa. No mapa estavam marcados os lugares de mais intensos conflitos entre torcedores. A Rua Inajar de Souza, Zona Norte de São Paulo, era um dos piores lugares. Nesse último Domingo, a polícia chegou ao Pacaembú para policiar o Corinthians x Palmeiras batucando, fazendo samba, festa. É sério! Enquanto isso, os lugares já apontados como perigosos em dia de jogo estavam ao deus dará.

No terminal Cachoerinha e na Avenida Inajar de Souza, lugares apontados no mapa que há um ano a polícia conhece, houve confronto severo e violento entre torcedores. Um deles, André Alves, palmeirense, levou tiros na cabeça e morreu. Mais uma vítima. Além do Futebol, que é vítima do péssimo trabalho da PM. Digo isso porque intelectuais que estudam o futebol e as torcidas – sociólogos, antropólogos, historiadores, psicólogos – já mostraram que a violência desses torcedores sairia por outro lado se não saísse “pelo futebol”. Ou seja, se não fossem torcedores “defendendo” seu time e violentando adversários, estariam “defendendo” suas religiões, seus bairros, comunidades, escolas de samba, enfim.

A polícia já admitiu que apenas assistiu o conflito, admitiram incapacidade. Falta agora mudar a postura, planejar, organizar, vários verbos que ajudariam muito a pacificar o futebol. E, por favor, saibam fazer isso, saibam lidar com multidões sem truculência. É possível.

PS: Acabo de saber que a Gaviões e a Mancha Verde estão proibidas de ir a estádios. Claro, porque a briga e a morte aconteceram no estádio!!! Não, não aconteceram. O confronto, as barras de ferro em punho, os tiros e a morte aconteceram na Zona Norte, longe do estádio, em uma região conhecida pela Polícia Militar como zona de confronto mas, a despeito disso, com policiamento zero. O erro e negligência da polícia militar vão estragar mais um pouco o futebol. Não sei por quanto tempo essa proibição vai durar, mas essa tolice, esse erro de análise, essa pressa em agir, essa demagogia, vai tirar o coração do estádio sem colocar nada no lugar.

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