100 anos de Futebol Arte

Na onda dos documentários de futebol, o Santos lança sua história no centenário. O documentário ‘100 anos de futebol arte’ segue a linha de ‘Soberano’ – do São Paulo sobre os títulos brasileiros – e do ‘Todo Poderoso’ – história do Corinthians lançado em 2010. A Canal Azul junto à Banderantes e ESPN trabalharam neste filme que é dirigido por Lina Chamie.

Tive o prazer de assistir ontem a uma sessão no Museu da Imagem e Som(SP), de graça, pelo festival ‘É Tudo Verdade’. O filme entrou como au concour, apenas para ser exibido. Na sessão, as deliciosas companhias de Amir Labaki – organizador do festival de documentários, que já está no seu 17º ano -, Lina Chamie – diretora, santista fanática e apresentada por Amir como uma das melhores cineastas atuantes no Brasil – e o grande [e carnudo!] Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro – presidente do Santos Futebol Clube. Cada um deles fazendo uma apresentação, Amir agradecendo e elogiando o filme, Lina falando sobre como foi fazê-lo, e Laor dando seu show: com ares de poeta, rebuscando as palavras e com bom humor cravou “Deus é santista”. Ele explica:
Fosse sãopaulino, Deus ia ter sérios problemas com São Pedro, São Bento e outros tantos. Então sagrou-se logo Santos, todos eles de uma vez” e continuou “outra prova disso está na bíblia, em uma epístola de São Paulo aos coríntios onde ele diz: sê-de Santos!. Sem contar que Jesus poderia ter multiplicado gambás, porcos, bambis, mas resolveu multiplicar os peixes.”

Isso depois de me arrepiar quando Lina, a diretora, disse “meu pai falava que quando via o Santos jogar ele se santificava. Então, santifiquemo-nos!!!”. Depois disso e de estar na mesma sessão que esse trio, além de Odir Cunha – santista, jornalista, escritor e pesquisador histórico do documentário – mesmo que o filme fosse horrível eu sairia feliz. Mas não, o filme foi ótimo.

O documentário tem aquela sacada de “começar pelo final”, no caso, a final do campeonato paulista de 2011. Como espinha dorsal e alívio cômico, Mano Brown e Cosmo Damião, fundador da Torcida Jovem, são mostrados no carro conversando sobre a história do Santos e soltando pérolas maravilhosas! No “elenco” estão Torero, Wisnik, Marcelo Tas, Xico Sá, Pelé, Elano e Léo, Diego e Robinho, Ganso e Neymar, Mengálvio, Pepe, Carlos Alberto Torres….Torcedores e jogadores salpicados com vídeos e fotos raras e históricas. Se ao falar do passado o documentário usa e abusa dos depoimentos e dos poucos vídeos da época, para os últimos anos vemos imagens belíssimas, lindas mesmo, das finais da Libertadores e do Paulista 2011.

A tônica do documentário é o futebol arte do Santos, e nessa linha fala do time da década de 20 até 35, ano do primeiro título, que ganhava de placares astronômicos. Conta chegada de Pelé, já com o time bi-campeão paulista, e a fase extraterrestre que começou ai. Trata com cuidado e inteligência assuntos como a torcida dita pequena e a fase pós-Pelé. Mostra torcedores chegando a uma conclusão “a gente achou que aquilo duraria pra sempre, mas, como tudo na vida, acabou e nós ficamos com um vazio”. Vazio inclusive de títulos, que só acabou em 78. E o documentário mostra com bom humor e trilha sonora certeira o nascimento dos meninos da Vila. Passa pelas escuras décadas de 80 e 90 mas não sem lembrar do título de 84 sobre o Corinthians, da vitória sobre o Fluminense em 95  -quando os jogadores não desceram para o vestiário e esperaram os cariocas voltarem para completar a vitória histórica. Claro, também falaram da polêmica final contra o Botafogo e o quanto isso marcou a torcida, mas exaltando o time e a figura de Giovanni. E é ai que o filme chega em 2002, mostra como era o clima no Santos até esse ano: pesado, tenso, com ameaças constantes e sem estrutura. Delicia o público com os depoimentos de Diego, Robinho, Elano, exalta o título sobre o Corinthians, aaah, as pedaladas!; com Léo e Elano conta o título de 2004, em São José do Rio Preto e chega até agora, nesse time fantástico que o Santos ainda tem, tendo a Libertadores como clímax e encerramento perfeito.

Vale muito a pena, indico a santistas e não santistas que comprem ou assistam no cinema.
Fez jus ao time!

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