Neymar, mais que um jogador.

Romário, 1994, Barcelona. Rivaldo 1999, Barcelona. Ronaldo, 1996, Barcelona; 1997, Inter de Milão; 2002, Real Madrid. Ronaldinho Gaúcho, 2004 e 2005, Barcelona. Kaká, 2007, Milan. Quatro jogadores pelo Barcelona (més que un club) , um pelo Real Madrid e pela Inter, outro pelo Milan.

Ser craque no Brasil, ir jogar na Europa em times milionários, ser vitorioso e eleito melhor jogador do Mundo. Essa é a trajetória dos nosso últimos maiores craques. Romário, Rivaldo, Ronaldo, Ronaldinho, Kaká, todos eles foram os melhores jogadores do mundo enquanto jogavam em times europeus. E não só o ano dos prêmios, mas todo o auge deles foi na Europa (com exceção talvez no caso do Romário). Isso não é demérito. O que eu digo não é que ser melhor do Mundo em um time cheio da grana e cheio de craques do mundo inteiro seja fácil. O que eu digo é que esse é o padrão dos últimos vinte anos, que é o padrão repetido – e nos últimos anos nem isso.

Mesmo antes do prêmio da FIFA, Careca no Napoli, Zico na Udinesse, Sócrates na Fiorentina, Falcão no Roma, e deles em diante, muitos jogadores brasileiros saíram do país por mais visibilidade e melhores salários, processo intensificado na década de 90 e com o ápice no começo dos anos 2000. É claro que a saudosa década de 8o deu visibilidade para um Zico, um Sócrates, um Falcão, sem que eles saíssem do país, mas como percebemos, isso não impediu que eles saíssem mesmo assim. E, depois deles, os atletas começaram a sair cada vez mais cedo, como o caso de Ronaldo, Ronaldinho, Nilmar, Pato, Diego, entre outros tantos que não tinham nem 20 anos quando saíram. Ainda hoje, jogar na Europa é sonho de todo menino nas categorias de base.

Mas algo parece diferente. O Mundo está em crise, mas o Brasil não (sabe-se lá por quanto tempo). Vemos uma nova classe média surgir e, no mesmo tom, os clubes brasileiros se profissionalizarem (não todos) e ganharem mais dinheiro (com vendas de produtos, ingressos, marketing e direitos de tv). No mesmo movimento, enquanto Ronaldo voltava para o Brasil, e no vácuo dele Roberto Carlos, Deco, depois Ronaldinho Gaúcho, Juninho Pernambucano e, em menor grau (por ter passado pouco tempo), Robinho, o vetor se alterava. Principalmente em 2010 quando o Santos e Neymar negaram uma proposta colossal do Chelsea,  quando passaram 2011 negando mais propostas, até que anunciaram “Neymar fica até 2014”. Além dele, Lucas, do São Paulo, tratou logo de assinar um contrato com multa gigantes e firmar os pés nos gramados brasileiros.

Contrato milionário, muita publicidade, visibilidade (já que o Brasil, por sediar uma Copa, está sendo observado) campeonatos internacionais disputados pelo time, convocações para a Seleção, um filho ainda muito novo, uma cidade e um clube que fazem o atleta feliz, um jornalismo esportivo que o exalta e engrandece diariamente. Para quê e por quê Neymar sairia daqui? Mano, Cafú, Ronaldo e toda uma corja já se manifestou contra a permanência. Mano se precipitou, julgou saber mais da vida do Neymar do que o próprio, e ainda ouviu do presidente do Santos “Por quê o Mano não vai fazer um estágio na Europa?”. Ronaldo é agente da imagem do camisa 11, lucraria absurdos se ele saísse do Brasil. Baboseiras atrás de baboseiras. Pelé não saiu do Brasil pra melhorar o futebol dele, Pepe e Garrincha também não, Falcão, Sócrates, Zico, Careca e Romário já eram craques antes de sair. Qual é o sentido?

Essas pessoas deveriam usar a influência que tem para melhor o nível técnico do Campeonato Brasileiro, manter todas as revelações no país – como fazem os ingleses, por exemplo, que tem um dos maiores e melhores campeonatos nacionais do Mundo- repatriar atletas e dar ao Brasileirão marketing e alcance midiático global! Ou seja, fazer do Brasil uma Europa para nosso atletas jogarem, não advogar para que nossos gênios saiam daqui para lá. Dinheiro nós já podemos ter, e a maioria dos clubes tem, só falta trabalho e seriedade (e coerência) para termos a estrutura e organização. Isso depende dos clubes, depende de pessoas com influência (como o próprio Ronaldo, até Andrés Sanchez que já soltou suas baboseiras) trocarem o discurso e, principalmente, das federações estaduais e CBF.

Depois de falar tudo isso, a notícia:  Neymar cogita ficar no Santos depois de 2014. A última vez que o melhor jogador do Mundo de uma época atuava no Brasil foi na década de 60. Pelé! Justamente no Santos. Mais de mil jogos, mais de mil gols, títulos a perder de vista e excursões pela Europa para que eles babassem ovo no nosso futebol. Guardadas as devidas e bem demarcadas proporções, isso pode acontecer novamente e logo.

Isso porque, pelo visto, Neymar entendeu que realmente é um gênio, que pode fazer história e que o momento é de mudança, de inverter o vetor, de agigantar o futebol brasileiro frente ao Mundo. Ele entendeu que pode ganhar todo o dinheiro que quiser aqui, que seus gols e recordes tem repercussão mundial, que todos já o conhecem, que ele vai continuar sendo convocado. Mais que isso, ele entendeu que pode ser um ícone eternamente lembrado se for o melhor jogador do Mundo pelo Santos. Entendeu que pode ganhar uma Copa do Mundo no Brasil (em todos os sentidos). Que pode fazer o que outros fizeram, só que melhor, de forma inédita.

Os anos e a História nos preparam bons momentos pela frente. Pode ser que perto da Copa de 2018 ou 2022 os alemães, holandeses, franceses, espanhóis, italianos, ingleses sendo entrevistados nas suas categorias de base digam “Quero treinar aqui bastante, trabalhar pra conseguir uma vaga no profissional e, se Deus quiser, um dia ir jogar no Brasil”.

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