Campeones, campeones, olê olê olê

Em 1964 a Espanha foi anfitriã de uma Euro Copa, dois anos depois de ficar em último lugar no grupo do Brasil da Copa de 62. Era a Fúria espanhola, os tempos eram outros. Naqueles dias, a Espanha prezava pela força física e raça, por isso “fúria”, não tinha nada de futebol envolvente não. Em uma copa muito mais curta, a Espanha (terra da torcida que inventou a “ola”) passou pela Hungria e União Soviética para ter seu primeiro título europeu, que por muito tempo foi o único.

O Barcelona com Cruyff em meados da década de 70 começou a mudar o ideal de bom futebol na Espanha. A altura e força foram substituídas pela técnica e talento. Em uma época em que o esporte se tornava mais “científico”, com melhor preparação física e melhores treinamentos, o diapasão do futebol era a Seleção de 70 do Brasil e o futebol total da Holanda de 74. Foi por ai que Holanda e Espanha começaram a se confundir, primeiro em campo e depois também nos bastidores. No início da década de 90 o ídolo Cruyff voltou, dessa vez para treinar. O Barcelona começou o trabalho que o transformou no que é hoje, a Espanha mudou na mesma medida. A década de 90 foi holandesa no Barça. Depois de Louis Van Gaal, Frank Rijkaard, outro holandês, também treinou o Barcelona. Cruyff começou um trabalho sensacional, Van Gaal e Rijkaard colheram os frutos: subiram da base para o profissional, com calma e planejamento, jogadores importantíssimos para o time e para a Seleção além de implantar a filosofia do 4-3-3. Em mais ou menos quinze anos a Espanha completou uma transformação que já tinha começado na década de 70.

Se o Barcelona começa a ter um elenco sensacional, técnica e talento, táticas incríveis, o maior rival não pode ficar para trás. O Real Madrid se adapta e planeja como pode, dai os times galáticos. Já que não tinham feito um trabalho a longo prazo como os catalães, começam a contratar. Mas não só isso, porque o Real manteve em seu time uma base espanhola, não deixando o time virar uma Inter de Milão da vida. E quem ficou cresceu absurdamente. A rivalidade faz os times crescerem. Como um amiguinho que treina no video-game a semana inteira pra depois ganhar do vizinho no final de semana. É assim que a competição interna levou Barça e Real Madrid a serem os melhores times do Mundo.

Melhor para a Seleção da Espanha – que no fim é mistão Barcelona/Real sem Messi, Daniel Alves e Abidal, Cristiano Ronaldo e Özil, mas tem uma geração incrível que se completa.A Seleção é reforçada por jogadores do Bilbao, Atl. Madrid, Manchester City e Chelsea, só o fino do supra-sumo. E que geração!!!

A Espanha volta a ganhar a EuroCopa, dessa vez com um futebol de toque e posse de bola, em 2008. É pela primeira vez campeã de uma Copa do Mundo em 2010. E agora com esse título em 2012 torna-se a única Seleção a ganhar duas EuroCopas seguidas, e com estilo: quatro a zero sobre uma Itália cuja marcação é primorosa. É sensacional o que esses jogadores e treinadores fizeram. É incontestável.

Casillas, Pepe Reina, Puyol, Albiol, Sérgio Ramos, Xaxi, Xabi Alonso, Iniesta, David Silva, Fábregas e Fernando Torres são jogadores que participaram dos três times dos títulos de 2008, 2010 e desse ano. Busquets, Valdés, Piquet, Arbeloa e Pedro participaram dos dois últimos. De novo: é uma geração incrível, com jogadores excepcionais em cada posição, da defesa ao ataque, em especial no meio de campo.

Nós vimos um capítulo importantíssimo da História do Futebol acontecer.
E ele começou faz muito, muito tempo. E enquanto essa geração genial envelhece, os times espanhóis e as categorias de base da Seleção já preparam uma nova safra. É o que o Brasil deveria ter começado a fazer depois da Copa de 98, quando uma geração estava começando a envelhecer. Algo que o Brasil deveria ter intensificado depois do título de 2002, para em 2006 não forçar uma geração já esgotada.

Quem sabe perdendo a Copa de 2014 dentro de casa nosso futebol aprenda que aqui não é terra que se plantando tudo dá.

Anúncios

One response to “Campeones, campeones, olê olê olê

  1. A diferença fundamental entre as equipes brasileiras e européias é a profissionalização dos seus dirigentes. Lá não existem advogados, engenheiros, médicos ou administradores dentro do campo, se metendo na parte técnica e tática. O futebol é tratado como paíxão, educação e trabalho. Já no Brasil, a imagem dos jogadores são quase sempre de festas, carrões, atrasos, irresponsabilidades. A imagem dos diretores são de pessoas despreparadas para as funções, um simples sócio de clube que com o tempo ganhou poderes de deus.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s