Olimpíadas

A pouca vida social que eu tinha acabou de vez, começaram as Olimpíadas. Em dias normais, tenho que lutar para achar um joguinho na Rede Vida e assistir. Ou então tenho que procurar algum maldito streaming na internet para ver tênis – só vejo os jogos importantes, sou desses.
Agora não, agora tem esporte o dia inteiro, com um milhão de modalidades e milhões de países. E essa maravilha toda merece alguns comentários:

A Olimpíada chegou clandestinamente ao Brasil, os maioriaesmagadora% que não podem ver SporTV não viram os canais Globo falarem sobre a competição. O canal Marinho só se rendeu agora, e pouco, por não ter outra opção. Mas muita gente nem sabia que a competição ia começar. Tudo porque quem comprou dessa vez foi a Record. No fim tudo vale a pena, assim não somos obrigados a aguentar a pieguice ufanista do Galvão Bueno.

Mais uma coisa: piadas coma a rainha. Gente, toda Olimpíada deveria ser ali naquela ilhinha com menos dinheiro que o Brasil. Eles tem rei, rainha, príncipe, tem protocolo pra seguir, mil regras. Olha quanta oportunidade de piada! É incrível! A rainha, da mesma linhagem da Hebe e do Niemeyer, ficou ali na maior tirando cutícula com cara de cu enquanto as delegações entravam. “Look at all these countries I used to own” foi a melhor piada até agora.

Alias, esse negócio de Grã-Betanha só existe nas Olimpíadas. É tipo um “JUNTA AE!! Junta ae pra gente não passar vergonha”. Porque, né?! Onde já se viu a soberana terra de reis e rainhas perder para Cuba e outros sub-desenvolvidos no quadro de medalhas? Nessa pegada, diferente do futebol, não existe Inglaterra, nem Escócia, nem Gales, é tudo junto misturado pra acumular mais medalhas – fica a dica pro Brasil, que pode se juntar ao Haiti e outros países onde  nos últimos anos vem dando uma de imperialista. A torcida não sabia nem o que gritar nas arquibancadas, algumas(e alguns) atletas nem cantaram o “God save the queen”. Amém…

A abertura foi linda, bem organizada, pontual, bem ensaiada, cheia de enfeites, mas foi chata.  Coisa de inglês, que sabe como ser chato como ninguém. Paul McCartney salvou um pouco, mas ele também é inglês, então…Melhor foi o Voldemort lutando com Mary Poppins, épico! Isso depois de homenagearam o sistema de saúde, gratuito e eficientíssimo, motivo de orgulho para todo o país. Vamos aguardar a homenagem ao SUS em 2016. E vale lembrar que tocaram Sex Pistols na presença da rainha, hein! Que ultraje! Alias, eu achava o logo da Copa do Mundo 2014 feio, mas vi que estava reclamando de barriga cheia. Que logo feio, Londres!

Piadas de lado, acho bobo quando falam “Ai, quero ver aqui no Brasil se vão fazer um negócio bonito desses”, “Quero ver no Brasil..HUM!..vai ser merda, tudo desorganizado”. Pra começar, nenhuma cidade vai continuar normal enquanto comporta os jogos Olímpicos. Nenhuma! A segurança de Londres teve que ser reforçada de última hora, por guardinhas novatos que nem conseguiam dar informações sobre a cidade. Reclamações. O trânsito, mesmo com faixa olímpica e tudo, está terrível. Mais reclamações. Ontem, quem não ia para a abertura foi instruído a nem sair de casa. Mais reclamações. Se nem os criteriosos ingleses conseguiram, ninguém vai conseguir. Cidade com Olimpíada só pode ser caótica.

E tem outra: o Brasil vai conseguir fazer tudo magnificamente. O país tem dinheiro demais e escrúpulos de menos. Vai ficar tudo pronto na hora, vai ficar tudo bonito, haverá alguns problemas, mas problemas normais que todas sedes enfrentam. O Rio de Janeiro vai estar lindo, asséptico para gringo ver, o país estará maquiado, se bobiar vão fretar helicópteros para esquecer o trânsito. Vai dar tudo certo, vai ser tudo lindo, uma Olimpíada (e a Copa também) para nunca mais o Mundo esquecer. O problema é como isso vai ser feito!

Isso merece um post inteiro, mas resumindo: aqui não vão revitalizar áreas pobres, vão e estão trabalhando pela especulação imobiliária. Pobres e miseráveis estão sendo desalojados,  tirados a força de suas casas na calada da noite. Os mesmos pobres e a classe média estão assistindo bilhões e mais bilhões serem gastos na Copa, e depois nas Olimpíadas, em estádios desnecessários, obras superfaturadas e escusas. Bilhões que serviriam muito bem para que houvesse uma reforma no sistema de saúde e outra maior ainda na educação do país. As obras pela cidade não acontecem, os ginásios e estádios que podiam ser reformados são ignorados e outros gigantescos e caros são erguidos. Como o velódromo do Rio, que custou cerca de 14 milhões e será demolido. Não serve mais, dizem. Já sabíamos que seria assim, o Pan foi um ensaio. Os cachorros grandes do país já sabem como fazer e já sabem como lucrar.
Aqui, tudo vai dar certo no mesmo nível da Europa, o problema é o preço financeiro e social. Esse será altíssimo.

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2 responses to “Olimpíadas

  1. “No fim tudo vale a pena, assim não somos obrigados a aguentar a pieguice ufanista do Galvão Bueno.”

    Como se Record não fosse assim também, né? A imprensa brasileira esportiva é assim como um todo. A pior de todas é a Band.

    Aliás, esse negócio de UK também vale pro Automobilismo internacional. Não existe bandeira de Escócia, Inglaterra ou Gales. É tudo UK.

    • É que eu tava vendo na ESPN, dai os caras são mais pé no chão. Mas na Record o problema continua, é verdade.

      Não sabia…e no automobilismo é pelo mesmo motivo?

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