Futebol nas Olimpíadas. Cadê a medalha?

É tudo muito estranho, o futebol não parece combinar com Olimpíada. Por vários motivos: o futebol tem suas próprias grandes competições – Copa do Mundo, Euro Copa, Copa América, da África, da Ásia, Champions League, Libertadores, Mundial de Clubes; os jogos começam antes mesmo da abertura das Olimpíadas, as partidas acontecem fora cidade sede; os jogadores não sentem o clima olímpico e os outros atletas – como já confessaram muitos – torcem contra o futebol brasileiro para terem mais espaço no noticiário esportivo.

Mas já que o futebol participa dos jogos (e ainda bem que participa), como o Brasil não tem medalha de ouro?

Quando o futebol foi incorporado às Olimpíadas o Brasil não era uma grande potência. Grã-Betanha e Uruguai se destacavam até a década de 30. Por isso os uruguaios terem como apelido de sua seleção ‘Celeste Olímpica’, porque foram duas vezes ouro nas Olimpíadas de 24 e 28. Quando em 1930 a Copa do Mundo de futebol foi organizada pela primeira vez – também com os uruguaios campeões, alias – os jogos Olímpicos preferiram não competir por atenção e fizeram da modalidade uma competição de amadores.

Como o boxe, modalidade onde só competem amadores (se não me engano até hoje), e com o tênis – que por muito tempo foi amador. Nessa época, que durou bons anos, os países comunistas se destacaram absurdamente. A diferença era gigantesca porque os atletas desses países não recebiam salário sendo, teoricamente, amadores. Na prática, eles se dedicavam integralmente apenas aos esportes, ao futebol no caso. União Soviética, Iugoslávia, Hungria, Polônia, Checoslováquia  mais tarde, estavam sempre na ponta, levando ouro e prata.

Essa soberania comunista foi um dos motivos para que em 1984 os profissionais fossem permitidos. Em 1992, Barcelona, estabeleceu-se que as seleções seriam sub-23, com até três atletas acima dessa idade permitidos. O que é ótimo: ajuda a revelar atletas jovens que não teriam espaço normalmente, bem ou mal iguala as seleções e a Olimpíada não estraga a Copa do Mundo – que tem muito mais graça por só acontecer de quatro em quatro anos. Nesse período, com as novas regras, o Brasil já pôde se destacar: conseguiu a prata em 84 e 88 (perdendo para França e União Soviética).

Primeiro o Brasil não tinha consolidado uma boa Seleção, depois quando tinha os gênios o futebol era amador. Quando os profissionais foram liberados, duas pratas e um revés duro em 1992 por não termos uma boa seleção. Então, em 1996 já era para o Brasil ter começado sua era de sucesso. Mas não! Começaram as zebras. Seleções com vários craques, mas todos muito mais preocupados com seus clubes e com as Copas do Mundo que sempre estavam por perto:

Atlanta 1996 – Ronaldo, Dida, Roberto Carlos, Rivaldo e o veterano Bebeto foram desclassificados pela Nigéria depois de abrir 3 a 1 na semi-final. A Nigéria empatou e virou na prorrogação. A seleção de Zagallo goleou Portugal na disputa pelo bronze, 5 a 0.

Sidney 2000 – Ronaldinho Gaúcho, Alex, Helton, Lúcio, Fábio Aurélio, entre outros, comandados por Luxemburgo. Nas quartas de final, contra uma Camarões do jovem Eto’o, o Brasil foi desclassificado mesmo com dois homens a mais. Perdendo, o gol de empate veio com Ronaldinho Gaúcho aos 48 do segundo tempo. Mas a seleção perdeu por gol de outro na prorrogação. Como eram quartas, nem o bronze conquistaram.

Atenas 2004 – Diego, Robinho, Gomes, Nilmar, Elano, Daniel Carvalho e companhia formaram a equipe que buscaria a vaga nos Jogos. O Pré-Olímpico disputado no Chile foi dividido em três partes. O Brasil se classificou em segundo lugar no seu grupo na primeira fase e venceu a Colômbia na repescagem.
No quadrangular final composto além do Brasil, Argentina, Chile e Paraguai, a seleção definiu seu destino contra os paraguaios. Um empate dava a vaga olímpica à equipe brasileira, mas o Paraguai fez 1 a 0 e decretou a eliminação precoce da seleção de Ricardo Gomes.
Argentina e Paraguai foram à Olimpíada, os argentinos foram ouro com Messi.

2008 Pequim – Sob o comando do técnico Dunga, o Brasil deveria apagar os últimos fracassos. Diego Alves, Thiago Silva, Marcelo, Hernanes, Ronaldinho Gaúcho, Ramires, Pato, Rafael Sóbis, Jô, Anderson entre outros.
Na semi-final, contra uma Argentina de Messi e Agüero, o Brasil foi desclassificado depois de um sonoro 3 a 0. Na disputa de bronze ganharam da Bélgica.

Agora é a vez de Mano Menezes defender seu emprego com Thiago Silva, Marcelo e Rafael, Sandro, Danilo, Alex Sandro, Oscar, Ganso, Neymar, Leandro Damião, Hulk. Apesar do pouco tempo de mídia, esses jogadores todos tem qualidade o suficiente para formarem uma geração tão vitoriosa quanto Cafu, Roberto Carlos, Ronaldo, Rivaldo…só precisamos conferir se com ou sem ouro olímpico. Para os jogadores não faz tanta diferença, para Mano faz toda.

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