Um brinde

Sou fã de um esporte fadado à morte.

Cada vez mais ao redor do mundo isso fica mais claro. Cada vez menos pessoas se encantam com o ruído dos motores, com a precisão necessária para fazer um carro ir ao limite, além da demonização do carro pelos ambientalistas, os custos elevados e o conhecimento necessário pra se entender quase tudo que se passa ali dentro.

O esporte a motor vai morrer. Mesmo vendo o cenário, não consigo entender o motivo.

Minha paixão e admiração por essa modalidade são tão imensas que eu não entendo como poucos compartilham esses sentimentos. A F1, modalidade mais acompanhada aqui no Brasil e no resto do Mundo, tem tido temporadas fantásticas, com uma geração incrível de pilotos e disputas singulares, mas ainda assim não se vê muito futuro pra tudo isso.

De qualquer forma, esse texto não é pra fazer um apanhado de nada, nem contar uma historinha como foi o primeiro. Foi pra compartilhar duas coisas que talvez traduzam o meu sentimento e minha admiração por esse esporte:

O primeiro vídeo é uma montagem feita pela BBC ao final da temporada de 2011 com um texto que Eddie Jordan, antigo dono de equipe e agora comentarista, escreveu e narra no próprio vídeo. É tocante e, pra aqueles que não sabem, fica aqui a tradução:

“Uma saudação àqueles que correm.

Àqueles que pilotam no caldeirão onde o sucesso e o fracasso gritam. Dois lados contrastantes separados apenas por instantes, por uma linha sensível.

Por um momento, talvez vitória e glória sejam companheiras, o mundo parece pertencer a você. Mas nunca pense que é para sempre, um deslize e você está perdido.

Uma vez competidor, agora não mais que servidor. Uma vez campeões,  agora apenas coadjuvantes. Àqueles deixados no segundo pelotão tendo que disputar, rasgar, arranhar enquanto buscam novamente por aquela glória ilusória.

Em alguns momentos também há um vislumbre através da janela para o mundo lá fora, onde bons e maus momentos têm mais significado que o esporte pode oferecer. Alguns têm que deixar o palco enquanto que outros demoraram a abrir mão achando que o triunfo ainda estava próximo. É uma linha tênue entre aquele que lideram e aqueles que são deixados no spray.

O que os motiva?

É a ideia de glória que, ao final, cairá apenas sobre um homem.

Então, uma saudação àqueles que correm. Àqueles que ganham e perdem, sobejam e falham num piscar de olhos.

E um brinde ao campeão, ao homem que agora goza favores e espólios. Mas que saiba que no mais rápido dos esportes o sucesso pode ser fugaz. E que saboreie a glória enquanto dure.”

Poético.

Eu poderia encher esse post só com vídeos do Antti Kalhola, mas resolvi escolher apenas este:

É isso. Um post tentando traduzir o intraduzível.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s