Adenor! Brilha muito no Corinthians!

Lembram do Luxemburgo?
O profexô, que hoje não ganha nada e só arruma briga, já ganhou cinco Brasileirões (93, 94, 98, 2003 e 2004). É um dos mais vitoriosos treinadores da história, entre 93/94 e 03/04 ele teve sua era.
O lance dele é o “pojeto” e os truques: pensar um objetivo pro ano e focar-se nele. Enquanto isso, os truques: colocar cartinha “você será campeão” nos travesseiros dos jogadores, passar vídeo das avó pra sensibilizar, entrar com 13 jogadores em campo antes do apito pra confundir o outro treinador, por ai vai. Esse estilão já está ultrapassado.

Enquanto ele ganhava seus últimos dois nacionais, Muricy Ramalho entrou nos anos 00 como potência e se realizou ao longo da década. Um vice honrado no Brasileirão de 2005, com o Internacional, seguido de um tri-campeonato pelo São Paulo e de outro título em 2010 pelo Fluminense. Em 2011 foi campeão da Libertadores pelo Santos, acabando com  a pecha de “perdedor de mata-mata”. De lá pra cá, Luxemburgo ganhou alguns estaduais, deixou de ser um treinador de ponta. Começava a era Muricy.

O lance dele: “Aqui é trabalho!”. Sem enfeite, ele recebe pra treinar, o jogador, para jogar. Não aceita ficar sem jogada treinada para a bola parada, gosta de armar o time a partir da defesa e de chegar na área com bola aérea. Viciado em vitória, já ganhou títulos na retranca mas também no ataque. Com seus métodos, foi tão vitorioso que se acomodou. Ele mesmo disse: “Não me preocupo mais [com demissões], antes eu me preocupava, agora eu tenho mercado”. Essa tranquilidade acabou com a fome de títulos de outros tempos, agora é ladeira abaixo (a não ser que a fome volte). Desde seu trabalho no Inter até o no Fluminense, seu estilo de treino e de jogo foram soberanos. A Libertadores pelo Santos foi o último suspiro da era Muricy.

Enquanto ele ganhava seus primeiros títulos, outro técnico aparecia. Um técnico que ganhou estaduais no Sul. Um técnico que ganhou uma Copa do Brasil pelo Grêmio, salvou o Corinthians do rebaixamento em 2004 e só saiu por conta da MSI, em 2005. Esse técnico correu por fora. Enquanto olhávamos para os nomes de sempre, ele estudava. Esse técnico acabou na Arábia, correndo risco de ser esquecido. Esse técnico é o Adenor Tite.
Ele voltou, em 2008, na entressafra de títulos de Muricy, e foi campeão invicto da Sul-Americana pelo Inter. Mesmo assim, voltou à Arábia, principalmente por motivos financeiro$. Ele poderia muito bem ser mais um técnico, com alguns estaduais, uma Copa do Brasil e uma Sul-Americana, esquecido na periferia do futebol.

No final de 2010, o Corinthians tinha perdido Mano Menezes para a CBF e Adílson Batista foi mal, muito mal. Tite recebe uma ligação: “Quer voltar para o Corinthians?”. É claro que ele queria. Adenor conhecia, como conhece hoje, os caminhos do futebol moderno, técnica, tática e administrativamente. Aquele conhecimento monstruoso sobre futebol estava sendo desperdiçado no Al-Whada e não havia no Brasil um clube melhor, mais moderno e mais preparado para recebê-lo. Os dois estavam afinados.

Tão afinados, mas tão afinados, que terminar 2010 como vice, perder para o Tolima nos play-offs da Libertadores e para o Santos na final do Paulista em 2011, não foi problema. Ele continuou. Depois de Muricy ganhar seu último título de expressão, a Libertadores de 2011, Tite foi campeão Brasileiro pelo Corinthians. No ano seguinte, como todos sabem, Adenor e seus jogadores marcaram a história do futebol sendo campeões invictos da Libertadores – a primeira do clube. Depois, Rafa Benitez não pôde acreditar no nó tático que aquele brasileiro apertou, o Chelsea não conseguiu superar o Corinthians de Tite.

Ele sabe administrar o elenco, sabe conquistar a confiança dos jogadores, cria competição entre atletas da mesma posição, não deixa ninguém acomodar na titularidade. Conseguiu montar e treinar um time com duas linhas de quatro bem próximas, compacto, que ocupa os espaços do campo, ataca e defende em bloco. Esse ataque “arrastão” chega rápido, é coletivo, e mesmo quando da errado, da certo – como vimos nas finais do Paulista 2013, uma bola sobrou e encontrou Paulinho, outra sobrou e encontrou Paulo André, outra encontrou Danilo. É um time incrível.

Esse ano, o desgaste natural do grupo, Riquelme e a arbitragem acabaram com a chance de mais uma Libertadores. Na mesma semana,  a reação: título do Paulistão, estragando o tetra do Santos de Neymar. Merecidíssimo.

Em 2003, Tite montou o São Caetano que seria campeão paulista com Muricy. Dez anos depois, eles se encontram na final. Adenor Leonardo Bacchi, o Tite, foi campeão com certa tranquilidade. Os jogadores do Corinthians ganharam no campo, com muitos méritos, os dirigentes têm mais dinheiro para trabalhar e uma torcida maior para arrecadar do que os de outros clubes. Tudo isso é verdade, mas esse Corinthians só é possível graças a quem está no banco, suado e rouco, graças a quem pensa e executa um futebol moderníssimo, único no Brasil. A era Tite já começou.

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2 responses to “Adenor! Brilha muito no Corinthians!

  1. Como era de se esperar, sensacional! Preciso vir aqui mais vezes prestigiar seus textos, cara! Só faltou um “faaaala muitooo” haha mas isso já está um tanto quanto mainstream =P Abraços e parabéns pelo blog!

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