Alberto Spencer, o artilheiro imbatível da Libertadores

Tem uma centena de perguntas de Almanaque para se fazer para os viciados em futebol: Quando Tostão estreou com a camisa do Cruzeiro, quantos gols Reinaldo fez pelo Galo mineiro, quantos gols de falta Zico fez na carreira ou qual foi o primeiro clube profissional de Garrincha. Em geral, você conhece uma ou outra resposta para essas perguntas quando tem a ver com o seu time ou com o seu ídolo. O resto deixamos para os PVCs e Unzeites da vida, mas o que nós, principalmente os mais  jovens como os que fazem esse blog, podemos dizer é que mesmo não tendo muito deste conhecimento histórico, valorizamos através deste espaço tudo de bom e belo que já foi e será feito do futebol. Muitas dessas perguntas nos levam por grandes histórias que raramente são contadas, por isso sempre vale a pena levantar a poeira e olhar para trás. A bola da vez me veio na pergunta: QUAL FOI O MAIOR ARTILHEIRO DA HISTÓRIA DA LIBERTADORES?

 Só vai saber tudo se clicar aquiVocê sabe? Chuta? Dou-lhe uma, dou-lhe duas… Pelé? Bom palpite, artilheiro em 65 (sempre é)… mas nem passou perto… a resposta nos leva a mais um daqueles jogadores de que nunca se ouviu falar, mas basta se embrenhar na pesquisa, ler os relatos, as entrevistas, os documentos, que você abre seus olhos para um novo ídolo, merecedor de várias honrarias. Alberto Spencer. Esse é o nome do jogador que guarda até hoje o título de maior artilheiro da história da Libertadores.

Alberto Spencer pelo Peñarol

Pedro Alberto Spencer Herrera nasceu em 6 de dezembro de 1937 em Áncon, província de Guayas, Equador. Filho de pai jamaicano (dai o sobrenome britânico) e mãe equatoriana. Divertia-se jogando bola nos campos de terra do Club dos Andes, em sua cidade natal, mas o irmão, que era jogador, o levou ainda com 15 anos para treinar em sua equipe, o pequeno Everest (irônico não?). Não demorou muito para mostrar uma qualidade notável e chegar a seleção de seu país. Na época, não haviam muitos jogadores de alto nível no Equador (bom, ainda não há) e seu destaque foi ainda maior.

Começou a ser observado após uma excelente performance no Sulamericano de 1959 – a Copa América da época – e após um amistoso contra o Peñarol na cidade de Guayaquil (no Estádio Modelo, palco que viria a ser rebatizado com o nome do jogador em 2006) onde ele simplesmente arrebentou com os adversários. o técnico da equipe portenha, Hugo Bagnulo, ficou tão impressionado que exigiu a contratação do mulato para seu time. Dizem que bateu boca, na frente de imprensa e conselheiros, com o presidente do clube, o lendárioGastón Guelfi – que em sua gestão tornou o Peñarol uma das maiores potencias do futebol mundial, tanto que os maiores títulos da equipe são desta época ou alguns anos depois – para enfatizar que aquele atacante era essencial nos planos da diretoria de “conquistar a América”. Pois bem, o treinador conseguiu o que queria e aposto que nenhum dos dois se arrependeu; após desembolsarem 10 mil dólares (valor elevado para os padrões do futebol equatoriano), levaram Spencer para Montevideu, onde em suas duas primeiras partidas pela equipe, marcou 5 gols.

Final de 62, Pelé ao solo.

Seu desempenho foi implementado pelo fato de que ser membro da genial equipe que nos anos 60 conquistou tudo que pode, rivalizando com o também formidávelSantos! Se no Brasil o Botafogo e o Palmeirastentavam incomodar com  o alvinegro praiano, na América os brasileiros só não dominaram completamente a década no continente, porque existia o Peñarol. Só na Libertadores foram 6 confrontos entre 1962 e 1965, 3 vitórias para cada lado.3 desses jogos foram a final de 62, vencida pelo Santos, mas com uma derrota em casa na Vila Belmiro que forçou o terceiro jogo, graças a 2 gols de Spencer.

Os uruguaios contavam com jogadores como Mazurkiewicz no gol, Luís Cubilla no meio, o capitão Tito Gonçalves e dos ídolos do São Paulo: Pedro Rocha e Pablo Forlán, que na época defendiam os carboneros.  Dos muitos êxitos,  acabou conquistando suas maiores glórias nas competições internacionais. Foi Campeão Uruguaio 8 vezes – artilheiro em 4 delas – e com tamanha hegemonia local, disputava regularmente a Libertadores (até hoje os uruguaios são a equipe com mais participações no torneio; 38). Mas como jogar é uma coisa e vencer é outra, seu retrospecto não deixa por menos: 3 títulos da competição, que levariam a 2 títulos intercontinentais. Perderam o primeiro em 60 para o Real Madrid deDi Stéfano com um humilhante 5 a 0. Logo após em 61 venceram o Benfica de Eusébio e em 66 tiveram a revanche contra os merengues; dois jogos, 2 a zero em ambos, com 3 gols de Spencer no total.

Equipe vencedora da Libertadores de 1966, da esquerda para a direita: (pé) Mazurkiewicz, Lezcano, Díaz (Tito González), Forlán, Gonçálvez, Caetano (agachado) Abbadie, Cortés, Spencer, Rocha, Joya. (Foto: Deniz Iguañaza/Jornal El Grafico, 21/05/1966)

A marca que fica na Libertadores, após 9 edições pelo Peñarol (artilheiro da competição em 60 e 62) e 2 pelo Barcelona de Guayaquil, é a invejável marca de 54 gols em 88 jogos. O segundo colocado é Fernando Morena (também do Peñarol na década de 70) com “apenas” 37 gols. Sozinho, Spencer fez mais que Pelé e Coutinho juntos, honra de que poucos podem se vangloriar seja em qual quesito for.

Dentro da área, onde era letal.

Spencer mostrou-se ao longo da carreira um atacante dos mais perigosos; era ambidestro (“se não era, fingia muito bem” como disse o narrador Pedro Luiz da Rádio Bandeirantes em 1962, quando ele veio jogar na Vila Belmiro na vitória do Peñarol por 3 a 2 num dos jogos daFinal da Libertadores de 1962), exímio cabeceador – foi apelidado de “Cabeza Magica” pela imprensa uruguaia, com seus 1,80 m, dizem que 70 % de seus gols eram de cabeça – com uma frieza desconcertante na frente do gol, sempre posicionado entre a bola e a meta adversária e dono de grande explosão, o que lhe facilitava a execução de dribles curtos, ideais para o pouco espaço de que se dispõe dentro da área. Era um goleador implacável. Por onde passou deixou os seus tentos, mais de 500 gols na carreira. Faleceu em 2006 como o maior jogador da história de seu país, e ignorado pela imprensa brasileira e argentina (as dominantes no continente) teve seu nome muito menos clamado do que merecia.

POR YURI MOLEIRO

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