Zizinho, futebol e encantamento

Thomaz Soares da Silva, nascido em São Gonçalo, estado do Rio de Janeiro em 14/09/1921. Quem é ele? O que fez e porque eu me daria ao trabalho de escrever sobre este homem (e você, a o trabalho de ler sobre ele) são todas perguntas muito pertinentes. Se você gosta de futebol – e por isso acessa o blog, deduzo – entenderá minha intenção ao celebrar neste espaço um dos grandes mestres que já dominaram esta arte; estou falando de Zizinho.
 Não vai perder o resto, né!?

Mestre Ziza, Campeoníssimo pelo Flamengo

Talvez nunca tenha ouvido falar. Talvez apenas tenha ouvido falar e não saiba de quem se trata. Talvez diga “e dai?”. Mas em todo caso, estamos falando de um meio-campista de fino trato. Mulato baixo, ligeiro, que parecia sempre ter a cabeça dois segundo a frente dos seus marcadores e as pernas tortas (sim, tortas) mais alegres do que a torcida que ele incendiava na arquibancada. Como viria a ser exigência para todo meio-campo de hoje, possuía uma técnica invejavel, visão de jogo e sabia tanto posicionar os companheiros na cara do goleiro, quanto decidir ele mesmo  ciscar pra cima da zaga e resolver e pendenga.

Foi um dos primeiros “pop-stars” do futebol brasileiro, sucedendo Leônidas da Silva como referência de sua década. Começou em 1939, após uma rapidíssima passagem pelo São Cristóvão e uma recusa do América-RJ (se arrependimento matasse…), no Flamengo, clube que defendeu até 1950. Como por capricho do destino, fez sua estreia nos profissionais entrando no lugar do próprio – e já consagrado – Diamante Negro, num treino em que este havia se machucado. Tinha dez minutos para mostrar serviço… e mostrou!Dois gols fora o baile! Fez seu nome e fama na equipe rubronegra, ganhou reconhecimento internacional e a consagração de seu futebol exuberante, encantador.Uma de suas grandes características era a “suave displicência” com que jogava. Não era negligente ou mascarado – jogava sério e não perdia divididas, sabia marcar e como quem gosta da pelota quer ela pra si, não poupava esforços para recuperá-la da equipe adversária – mas parecia tão relaxado em campo que diriam ter nascido perto da grande área. Viu do banco o Campeonato Carioca de 1939 conquistado pela agremiação. Aos 19 anos era titular do Mengo e puxava a equipe junto com Leônidas, para se tornar – já sem o parceiro mais famoso – Tricampeão Carioca em 1942, 1943, 1944.

Apesar de conquistar reconhecimento internacional – mesmo numa época em que este tipo de translado era quase impossível – não obteve os títulos que coroariam sua carreira. Foi eleito o melhor jogador da Copa de 1950 mas… bem… não preciso dizer mais nada não é? Neste tento inclusive teve a atuação mais destacada de sua carreira, e lembrada por parte da impressa esportiva até hoje como a “melhor atuação individual em uma partida pela Seleção Brasileira”, na vitória contra a Iugoslávia na primeira fase por 2 a 0 (um gol dele, o segundo aos 89). Assim como Leônidas, ele guardaria a mágoa de nunca ter sido Campeão Mundial.

Entretanto, o atleta diz que seu maior ressentimento na carreira aconteceu no mesmo ano, mas um pouco antes, com sua transferência para o Bangu. A equipe de Moça Bonita  pagou cerca de 800 mil ao rubronegro, que foi negociado sem ao menos ser consultado pela diretoria flamenguista. Declarou diversas vezes ter se sentido traído por terem feito tal transação pelas suas costas, e se vingou devidamente do ex-clube na primeira oportunidade; Bangu 6 x 0 Flamengo, com uma brilhante atuação de “Mestre Ziza”. Jogou 7 anos no alvirubro, transferindo-se depois para o São Paulo. No tricolor paulista fez valer a sua magica e conquistou o Campeonato Paulista de 1957, logo sagrando-se idolo também desta torcida. Num time que tinha o goleiro Poy e Canhoteiro na ponta-esquerda, venceram o Corinthians na final, por 3 a 1, com mais uma memorável atuação. Encerrou sua carreira no Audax Italiano do Chile, com 35 anos. Voltou ao Brasil e se tornou fiscal de renda, emprego onde se aposentou.

Morreu em 2002, vitimado por um ataque cardíaco.

Pelo seu talento e sua história, já bastaria uma homenagem, mas além disso ele tem outra grande referência; foi ídolo de Pelé. E de Gerson. Se não tivesse falado nada sobre ele, apenas isto já bastaria.Dizem que se espelharam nele, viram seu estilo, sua firmeza, sua habilidade, e tentaram fazer igual. Para nossa sorte, o exemplo ensina.

Fica gravado nas palavras de Nelson Rodrigues quando Mestre Ziza jogava no Flamengo;”bastavam os alto-falantes do Maracanã anunciarem o nome de Zizinho para saber quem seria o vencedor da partida”.

2 responses to “Zizinho, futebol e encantamento

  1. Como não sabia desse cara? :O
    Já tinha escutado falar mas nunca visto algo mais aprofundado sobre ele –‘
    Devia ser genio pra ser idolo de pelé.

    • Então, cara! Não fui eu quem escrevi, é um puta texto do Yuri Moleiro…mas dando uma olhada por ai a gente acha pouquíssimo material sobre ele. Fotos e vídeos, texto até que tem bastante. Mas ele foi muito desfavorecido pela carreira dele ter passado grande parte nos anos quarenta, que não tiveram Copa nem Olimpíada nem nada internacional. E pior que depois ainda ficou marcado por estar no time do Maracanazzo em 1950.

      Mas ele era bom mesmo! Valeu pelo comentário!

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