É Tri! Brasil de 70

Corrijam por favor qualquer erro ortográfico, de concordância ou de informação. Não revisei o texto. Obrigado.

A lenda começa no fim dos anos 60. O Botafogo ainda tinha um grande time, mesmo sem Garrincha, o Cruzeiro tinha um tal Tostão e o Santos mantinha a excelência da brilhante década que estava pra acabar. Aymoré Moreira ainda treinava a Seleção quando João Saldanha foi chamado para o cargo, assumiu em 69. Um técnico jornalista, de esquerda, em plena ditadura militar, futebolistas geniais a serem escalados e muita desconfiança desde o fracasso de 66, quando o Brasil saiu ainda na primeira fase da Copa. Esse era o tom.

O clima e a gestação:
A Tropicália estourava cada vez mais, a Jovem Guarda fazia sucesso, as Folha-1968-AI5tropas norte-americanas ainda faziam do Vietnã um inferno e o AI-5 já estava em vigor neste país que à época era comandado por militares autoritários retrógrados. No futebol, o Campeonato Brasileiro, mais abrangente e com mais times – “mais nacional” – estava sendo gestado (durante a década de 70 ele seria usado como propaganda da ditadura), Botafogo, Cruzeiro, Santos e a Academia de futebol do Palmeiras eram os principais times do país.

“João Saldanha foi muito inteligente” disse Carlos Alberto Torres “Colocou no time titular seis jogadores do Santos, a melhor equipe do Brasil na época. Toda a defesa era do Santos, mais o Pelé e o Edu. Isso facilitou muito o entrosamento. Piazza e Tostão jogavam no Cruzeiro e o Gérson e o Jairzinho no Botafogo”.

Com esse time, a Seleção ganhou todos os jogos das eliminatórias. O desempenho era muito bom,  Saldanha fazia um ótimo trabalho e se confirmava como uma grande cabeça pensante do futebol na época. Mas nada era tão simples assim. João Saldanha desmontou o time das eliminatórias para fazer novas convocações, o que não agradou muito jogadores (como Pelé, por exemplo). Além disso, o técnico viajou algumas vezes para assistir jogos de possíveis adversários do Brasil e nessas viagens aproveitou para denunciar a tortura, os desaparecimentos e as mortes nas prisões do Brasil ditadura. Coincidência ou não, depois de um empate (1 a 1) contra o Bangu, Saldanha foi demitido e substituído por Mário Jorge Lobo Zagallo.

E chega o velho Lobo:
Zagallo é uma figura raríssima no futebol, foi e é importantíssimo para o esporte no Brasil. Mas seu papel na Seleção de 70 precisa ser ponderado. O velho Lobo estava na flor de seus 39 anos e tinha no currículo duas Copas do Mundo como jogador e uma série de títulos pelo Botafogo como treinador. Mesmo assim, é possível dizer que ele foi engolido pela Seleção.

O Velho Lobo comandaria um panteão naquela Copa: Félix, Brito, Piazza, Carlos Alberto, Everaldo, Clodoaldo, Gérson, Jairzinho, Tostão, Pelé, Rivellino entre os titulares; além de Edu, Leão, Dario, Paulo César, Marco Antônio e companhia na reserva.
Eram muitos craques, muitas estrelas, muitos gênios. João Saldanha já havia tido problemas, ou no mínimo polêmicas, quando cogitou não escalar Tostão e Rivellino. Zagallo não teve esse problema, quando ele chegou quem mandava era o time. Como acontece em qualquer time, das peladas até os campeões do mundo, líderes despontam e grupos se formam. No caso de 70, Gérson e Pelé eram líderes. Botafogo e Santos, como era costume, tinham muitos jogadores na Seleção. Gérson tinha sua influência sobre os cariocas, não só os do Fogão, e Pelé sobre os paulistas, não só sobre os do Peixe. Esse dois líderes se impunham sobre a Seleção. Além deles, Carlos Alberto também tinha bastante moral e respeito.
Há várias especulações sobre se houve ou não uma conversa desses jogadores com Zagallo. Uns dizem que sim, outros que não, outros dizem que foram várias conversas curtas, outros que foi uma grande reunião, uns dizem que Félix participou, outros dizem que não. Fato é que, com conversa ou sem conversa, graças à posição firme desses jogadores, Tostão foi escalado, Rivellino também, assim como, claro, Pelé. Muitos camisas 10, todos titulares. O fato de todos os craques jogarem juntos não é mérito de Zagallo, é influência dos próprios jogadores.
Claro que eu não descarto o mérito do técnico, mas ele ainda era jovem, tinha sido colega de Pelé nas Copas de 58 e 62, era mais amigo do que ‘professor’ daqueles jogadores. Acredito, isso com certeza, que a influência de Gérson e Pelé era maior que a dele.

Os gênios e a preparação física:
Além de uma boa escalação, salpicada de gênios indiscutíveis como Pelé, Tostão e Gérson, a maior diferença da Seleção de 70 foi o preparamento físico. Admildo Chirol foi o preparador físico e tinha assistentes bastante conhecidos por nós: Carlos Alberto Parreira e Cláudio Coutinho. Foram três meses de preparação, algo inimaginável hoje em dia mesmo em pré-temporada. Um desses meses com a delegação inteira no México. A Seleção ficou 21 dias treinando em Guanajuato, com uma altitude de 2 mil metros ou mais. O trabalho foi científico e bem planejado, fazendo toda a diferença. Essa Seleção jogava muito melhor e fazia a maior parte dos gols no segundo tempo, quando o adversário já estava cansado e sem fôlego. Mesmo que isso desidealize o futebol arte de 70, a principal qualidade e diferença do plantel era o preparamento físico.

Pelé queria fazer a diferença naquela Copa. Em 62 ele fez apenas um gol e se machucou, não jogando mais, em 66 ele foi perseguido violentamente em campo e a Seleção foi desclassificada na primeira fase. Mais ainda do que 58, essa era a Copa do Pelé. E foi! A dupla Pelé-Tostão funcionou perfeitamente, era mágica. Carlos Alberto Torres pela direita já estava entrosado com o Rei por já jogar no Santos – inclusive, o quarto gol da final contra a Itália saiu graças a essa sintonia.

Seleção em campo:
Eles jogavam em um 4-5-1, todos voltavam para marcar, só o Tostão ficava um pouco mais à frente. A marcação acontecia no meio-campo e o time saia com até sete jogadores em velocidade. Brito, Piazza e Everaldo não avançavam; Clodoaldo, Gérson, Carlos Alberto, Jairzinho, Pelé, Tostão e Rivellino partiam para cima, com qualidade individuais espetaculares e um entrosamento único.

No primeiro jogo, 4 a 1 sobre a Tchecoslováquia com aquele famoso quase gol do Pelé – que ele chuta do meio do campo vendo o goleiro adiantado. O segundo jogo foi crucial, segundo os próprios protagonistas. Contra a Inglaterra, então última campeã, o jogo foi truncado, disputado, equilibrado. O resultado: 1 a 0, gol de Jairzinho já no segundo tempo. De novo a Seleção mostrava-se melhor e mais inteira no segundo tempo. Sem essa vitória, o caminho para o título seria mais difícil por dois motivos: jogos mais difíceis na fase seguinte e viagens mais longas para jogar. Na terceira partida, contra a Romênia,  3 x 2 para o Brasil encerrando a primeira fase com três vitórias.

Líder na primeira fase, o Brasil enfrentou pelas quartas-de final o Peru, Pelé e Jairzinhoque tinha como técnico nada mais nada menos que Didi, bi-campeão pelo Brasil e inventor da folha-seca. No fim das contas, goleada por 4 x 2 . Esses resultados trouxeram um fantasma na semi-final: o Uruguai. O nosso carrasco do Maracanazzo complicou bastante o jogo para o Brasil, que inclusive saiu perdendo. Clodoaldo foi empatar bem no finalzinho do primeiro tempo e no segundo o jogo seguiu equilibrado e difícil. Mas, novamente, próximo ao fim, aos 31 minutos, Jairzinho conseguiu o gol da virada. Aos 45, Rivellino liquidou os uruguaios e espantou os fantasmas de 50 com um sonoro 3 a 1. Nesse jogo, já depois do terceiro gol, Pelé recebeu um laçamento de Gérson (salvo engano) com o goleiro adiantado, a bola ia em diagonal para a direita, ele correu e fez como fosse relar na bola para driblar o goleiro que vinha vindo, mas não relou, passou o pé por cima da bola e continuou correndo para a esquerda, a bola continuou para a direita e juntos, Pelé e o bola, deram um X no goleiro: um drible fenomenal sem relar nenhuma vez na bola. Derrotado o número 1, o número 10 canarinho chutou cruzado, quase sem ângulo, e a bola passou caprichosamente do lado da trave indo para fora, mais um quase gol inesquecível. Enquanto isso, na outra semi-final, em um jogo épico, extenuante, a Itália vencia a Alemanha  por 4 x 3. A preparação física excelente do Brasil e o cansaço dos italianos seriam determinantes para o título.

Prova disso foram os gols da grande final. 108 mil pessoas assistiram no estádio e mais milhões pelos televisores do Mundo inteiro uma vitória convincente dos brasileiros: 4 x 1.
Pelé abriu o placar aos 18 minutos, Bonisegna empatou aos 35. E esse foi o primeiro tempo, disputado, empatado, equilibrado bem ou mal. No segundo tempo, quanto mais próximo ficava o fim da partida, mais o Brasil crescia: Gérson aos 20′, Jairzinho aos 25′ e Carlos Alberto Torres aso 41′. A diferença de fôlego e disposição era flagrante, além do grande panteão de futebolistas escalado por Zagallo.

Levantar a taça: gesto criado e eternizado por Carlos Alberto

Tricampeões indiscutíveis! Um time para ser lembrado eternamente. Além do título, o Brasil ficou com a Taça Jules Rimet (que viria a ser roubada anos mais tarde) por ter ganhou três Copas e com alguns prêmios: Pelé foi bola de ouro, Carlos Alberto Torres bola de bronze, Jairzinho foi chuteira de prata, seis jogadores brasileiros na seleção de melhores da Copa (Pelé, Jairzinho, Gérson, Rivellino, Carlos Alberto e Piazza). O artilheiro, com 10 gols, foi Gerd Müller da Alemanha mas Jairzinho conquistou uma marca incrível, o único jogador a marcar gols em todos os jogos de uma Copa.

Esquema tático:
Fonte:chuteirasdeouro.blogspot.com.br
Félix era o goleiro titular, Leão e Ado eram os reservas. À frente dele, Piazza e Brito formavam a dupla de zaga, ficavam mais fixos, segurando possíveis contra-ataques.
Everaldo ficava mais estático, mais presto atrás, do lado esquerdo, enquanto Carlos Alberto ficava livre para atacar pelo lado direito, aproveitando o entrosamento tanto com Clodoaldo quanto com Pelé (que já jogavam com ele no Santos).
Por vezes Gérson ficava para Clodoaldo avançar, Rivellino muitas vezes caia para a direita deixando Pelé na esquerda, nesse caso Jairzinho entrava de centro-avante.
Zagallo usava o 4-2-3-1 como esquema-base. Mas quando atacava podia mudar para 4-3-3 com o recuo de Rivelino e o avanço de Jairzinho e Pelé, um 4-3-1-2, com Pelé na ligação e Jairzinho fazendo companhia a Tostão, ou até um 3-4-3, parecido com o que Cuca utiliza hoje no Bota em muitos jogos, com Carlos Alberto se projetando como um ala pela direita e Rivelino, Tostão ou até Jairzinho (como no quarto gol contra a Itália) fazendo o lado esquerdo, com Pelé centralizado.

O grande trunfo dessa Seleção foi ter todos os gênios jogando juntos, mesmo os que figuravam na mesma posição. A grande “sorte” foi isso ter dado certo. Rivelino, por exemplo, foi parar na ponta-esquerda, Gérson ficava mais atrás junto com o santista Clodoaldo, Tostão completava esse meio de campo inacreditável.

O mito criado:
“Aquela seleção!”, “o Brasil de 70”, “a Seleção do Tri”. Quando falamos de Félix, Piazza, Brito, Everaldo, Carlos Alberto, Clodoaldo, Gérson, Tostão, Rivellino, Pelé e Jairzinho, quando falamos de Zagallo e mesmo de João Saldanha, até de Paulo César, Edu, Marco Antônio, enfim, quando lembramos da Copa de 70 e de cada um de seus personagens, mais ou menos controversos, mais ou menos unânimes, sempre carregamos nossa fala de saudosismo e idealização. Isso tendo ou não visto o time jogar.
O que temos que lembrar, e não lembramos, é que qualquer seleção, a de 58, de 62, a Holanda de 74, o Brasil de 70…todas elas tinham momentos de apagão, momentos em que o futebol falhava, os passes saiam errados e os chutes iam para a lua.  Nenhum time sublima o futebol arte e exala sua mais pura essência durante os 90 minutos de todos os jogos.
É claro que essa seleção de 1970 é indiscutível, ela tinha no plantel os mais talentosos e geniais futebolistas da história: Pelé, o rei, o camisa 10 eterno e inatingível; Tostão muito próximo da perfeição divina; Gérson e seus passes e lançamentos inacreditáveis; Carlos Alberto, para sempre capitão; Rivellino e Jairzinho deixam muita saudade, tinham uma qualidade muito rara.
Mas não podemos esquecer que o mito se criou, essa Seleção é tida hoje por muitos como perfeita, sem o ser. Não há dúvida que é a melhor das cinco campeãs do Brasil, que é melhor que muitas outras seleções de outros países. Isso tudo forçando uma comparação entre futebóis tão diferentes quanto são os futebóis de 70 e de 2002, praticamente incomparáveis. O mito criado, eu arrisco, tem duas origens: futebol bonito que não vence e futebol pragmático que vence. A saudade do futebol ofensivo e bonito, o dito futebol-arte, que até reapareceu em 82 e 86 (mitificando essas seleções também) mas sem vitória generalizou essa saudade de um futebol bonito e vencedor. Outro tijolo do mito, como eu disse, é a vitória pragmática. A Seleção de 94, que encerrou o jejum que vinha justamente desde 70, ganhou “jogando feio”, como dizem. Em oposição a uma final 4 a 1, vimos uma final 0 x 0, com vitória nos penâltis conquistada em um não-gol, o erro de Baggio.

Conclusão
O que fica, no fim das contas, é a boa memória. A Seleção de 70 foi o ápice do futebol brasileiro, isso é certo. Mitificada, sim, mas se o foi é porque deu motivos, porque deu substrato para a construção de um mito. Como bem exposto aqui, a preparação física e os três meses de pré-Copa fizeram toda a diferença para esse mítico selecionado, o que não exclui a genialidade dos jogadores.
Olhamos para a escalação desse seelecionado e vemos uma lista de ídolos, de gênios. Temos nela a consagração de um ícone do nosso futebol: Zagallo. Para além, a confirmação de heróis da bola, imortalizados nas fotos e vídeos capturadas no México e na memória do Mundo.
Se foi indevidamente aproveitada pela ditadura brasileira, isso passa como ruído da História. Poucas pessoas se lembram disso, não há espaço para mais nada porque o jogo bonito e ofensivo, os grandes nomes do futebol, os grandes jogos, inesquecíveis jogos, placares monstruosos e bem construídos já tomam conta de nossa memória e imaginário.

Com a distância dos anos, o que fica é a excelência do futebol.

Por Bruno Jeuken Souza 

Fontes:
HELAL, R.; do CABO, A.; SILVA, C. Pra frente, Brasil! Comunicação e identidade brasileira em Copas do Mundo. Esporte e Sociedade, ano 5, n 13, nov.2009/Fev.2010
LEITE, Milton. As Melhores Seleções Brasileiras de todos os tempos.1ºed. São Paulo: Contexto, 2010.
ROCHA, André.disponível em:[http://www.papodebola.com.br/olhotatico/20080423.htm]

7 responses to “É Tri! Brasil de 70

  1. Não esquecendo, porem, que dos 6 jogos dessa Copa, 4 viraram lenda de tão bons: contra a Tchecoslovaquia, Inglaterra, Uruguai e Italia. Mas creio que nenhum superou o jogo Brasil 2 x Russia 0, de 1958, este, fora de qualquer comparação em todos os tempos.

  2. Alguns detalhes que vi no artigo. Eu asssiti a Copa e acompanhava futebol como um louco nesse tempo. O Brasil não ganhou todas as eliminatorias, empatou o primeiro jogo por 0 a 0 na Colombia, e por isso Osvaldo Brandão, o tecnico, foi demitido, sendo chamado então Saldanha. Gerson, na Copa, já jogava no São Paulo. A defesa era assustadora de ruim, principalmente por causa de Felix, pelo menos na Copa um goleiro que não inspirava confiança, e de Brito, péssimo zagueiro do Vasco. A seleção passou, em alguns jogos, por maus bocados, como contra a Inglaterra, que jogou muito bem e não empatou o jogo por milagre. O jogo com o Uruguai teve um primeiro tempo horroroso do Brasil e contr a Italia, ela empatou em 1 a 1 no 1o tempo por uma falha da zaga incrível (lembram de 1982?). Mas a equipe era, mesmo, boa no conjunto durante a maior parte das partidas. Valeu a pena assitir essa Copa – na verdade, a única que assiti que valeu a pena (1958 e 62 não assitsi). As seleções de hoje são fracas comparadas com essas. Exceção: 1982, mas que perdemos.

    • O Brasil não empatou com a Colômbia no jogo de estreia. Venceu por 2 a 0, em Bogotá e o técnico não era Osvaldo Brandão. Já era João Saldanha. Além disso, Brito não era zagueiro do Vasco e, sim, do Flamengo. Edson

      • Verdade, Edson, o caso do empate e do Brand]ao foi mais tarde, acho que nas eliminatorias de 1978. Já o brito, eu sei que ele era do Vasco, não me lembro quand jogou no Flamengo, mas era ruim assim mesmo.

        • Bem lembrado. Depois de empatar com a Colômbia, nas eliminatórias para 1978, Brandão acabou dando lugar ao Cláudio Coutinho.

  3. Só um adendo. Tostão não era o camisa 10 do Cruzeiro. Ele era o camisa oito. À época, quem usava a 10 era Dirceu Lopes. Após a saída de Evaldo, centroavante do clube, Tostão passou a usar a 9.

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