Santos – especial centenário


Fundação e primeiros craques:

O Santos foi fundado no dia 14 de Abril de 1912. Foi caminhando pelo amadorismo e teve nos seus primeiros anos algumas boas histórias e ídolos. Feitiço, Araken e Evangelista foram os primeiros grandes jogadores do time, que em 1927 consagraria o famosíssimo Ataque dos 100 gols. Era um campeonato paulista, o Santos FC construiu várias as goleadas sem parar: contra Barra Funda, 11 a 2; Alpargatas, 9 a 3; República, 10 a 2; Guarani, 10 a 1 e Corinthians, 8 a 3. Em apenas 16 jogos, o time assinalou 100 gols e entrou para a história. A média? 6,25 gols por partida.
O primeiro título foi em 1935, um paulista, e ai o Peixe enfrentou um jejum de vinte anos, até 1955 quando voltou a ganhar – o início de uma época extraordinária.

Era Pelé:

Em 1956 chega à Vila Belmiro Edson Arantes do Nascimento, o Pelé. Ele chega com o time já bi-campeão paulista, com a confiança recuperada e o moral altíssimo. Começa a nascer o Santos da década de 60. Em 59, o Rio-São Paulo. Em 60, mais um paulista, assim como em 61, 62, 64, 65, 67, 68, 69. Um Tri, interrompido pelo Palmeiras, um Bi, interrompido de novo pelo Palmeiras, e depois outro Tri. E na Taça Brasil, campeonato nacional da época, a hegemonia foi ainda maior: 61, 62, 63, 64, 65, cinco títulos seguidos.  A Libertadores de 62, contra o Peñarol, e a de 63, contra o Boca Juniors e também os Mundiais desses anos, contra Benfica e Milan. O time era extraterreste, já que além do alienígena Pelé, o Santos tinha Pepe, Mengálvio, Zito, Coutinho, Calvet, Gilmar, Dorval. Sublime! Em 1968 o tanque de craques enche de novo: Clodoaldo, Edu, Abel, Toninho Guerreiro, com eles o Santos ganhou o tri-paulista, a Taça Gomes Pedrosa e uma Recopa Sul-Americana.
Nessa época, dois episódios fantásticos aconteceram: a “expulsão” de um árbitro e um time que parar uma guerra. O primeiro caso, mais engraçado, aconteceu (salvo engano) em um amistoso contra a Seleção Olímpica da Colômbia. O árbitro da partida, todo todo, já tendo expulsado um santista expulsou também Pelé. Com raiva, ele obedeceu e desceu para o vestiário. A torcida indignada não parava de gritar “Volta Pelé, que saia o juiz”. O bandeirinha teve que apitar o jogo e, claro, Pelé voltou a campo para encantar a todos por mais algum tempo.
O segundo caso é sensacional, emocionante, motivo de orgulho. Em uma das muitas excursões do Santos de Pelé pelo Mundo, o time foi para a África. Um dos jogos seria no Congo, uma área que estava em constante conflito armado. A condição do Santos para jogar era que não houvesse perigo, que não houvesse ataques. Os dois lados decretaram o armistício e, durante mais ou menos quatro dias, a guerra parou para ver o Santos jogar.
Se não podemos afirmar que foi o melhor time da história do futebol, podemos dizer que sem dúvida é o mais lendário. Foi a década de ouro do Santos, foi nessa época que o Brasil foi levado ao Mundo inteiro pelos pés desses caipiras que jogavam em um time que nem era de nenhuma capital.

Sai Pelé, começam os Meninos da Vila:

A década de 70 dilacera o Peixe, que sofre com isso durante duas décadas. Pelé, o melhor e maior jogador de futebol da história, para de jogar. Em 1974, em um jogo contra a Ponte Preta, ele pega a bola com as mãos, vai até o centro do gramado e se ajoelha, faz uma cruz com os braços e se vira para todos os lados do campo. Aquilo que os santistas e não santistas tiveram como rotina, as goleadas, os golaços impressionantes, os lances bonitos, não era pra sempre como parecia ser. Como costuma ser feito no Santos, a esperança veio na renovação a partir das categorias de base, e para tanto entram em campo os Meninos da Vila de 1978. Juary e Pita são só dois grandes nomes daquele time de meninos, atletas com menos de 20 anos, que ganhariam o campeonato paulista com goleadas, jogos bonitos, lances de efeito, golaços em um calendário interminável (o título de 78 só foi decidido em 79). O Futebol&Memória tem um artigo sobre esse time.

As vacas magras de 80:

A década de 80 foi de vacas magras para o Peixe. Apenas um título, o paulista de 84, e um grande nome que destoa: Serginho Chulapa. O Santos até conseguiu montar bons times no começo da década, principalmente o de 84, que só perdeu uma vez e foi campeão sobre o Corinthians, um jogo de final emocionante demais e que vale a pena conferir no Youtube. Esse título acabou com o sonho do Tri corinthiano, o que manteve o Santos como último Tri (67, 68, 69) e trouxe um fôlego no meio do sufoco.

Década de 90, o Messias e boas histórias:

A década de 90 trouxe poucos títulos: uma Copa Denver(1994), um Torneio Rio/São Paulo(1997) e uma Copa Conmebol(1998). Bons títulos, que ajudaram o time a respirar, mas em geral o clima era pesado, de pressão, de decadência e frustração. Há duas luzes nessa década, a melhora vertiginosa das categorias de base, que levaria o Santos à geração Diego/Robinho e o Campeonato Brasileiro de 1995. As semi-finais e finais desse Campeonato, contra Fluminense e Botafogo respectivamente, mereciam um post à parte, um artigo, uma reportagem de capa, não sei. Giovanni, o messias, o G10, era o craque desse Santos, acompanhado de Macedo, Camanducaia e outros. Contra o Fluminense, o Santos tinha perdido o primeiro jogo por 4 a 1 e precisava de 3 gols de diferença no segundo jogo para se classificar para as finais. O Flu era um timaço, não era tarefa simples e fácil fazer três gols de diferença, era impossível. Giovanni fez dois no primeiro tempo, um de penalti e outro de bico, os dois gols que ele havia prometido que faria. No intervalo, algo histórico, um momento que marca o Santos para sempre: ninguém do alvinegro desceu para o vestiário. Todos os jogadores, a comissão técnica, os massagistas, ficaram todos em campo, concentrados, só esperando o Fluminense voltar para ser desclassificado. No fim, 5 a 2, com direito a golaço depois de um toque primoroso de calcanhar de Giovanni.
Não vou comentar aqui a final, contra o Botafogo, foi triste e merece só um resumo. Houve três gols naquele jogo, dois ilegais: um do Botafogo, em impedimento claro; outro do Santos, depois de um toque de mão; e um legal: de Camanducaia. Os dois ilegais foram validados, o gol legal, que daria o título ao Santos, foi anulado inexplicavelmente.

De volta ao topo do Mundo

Se os anos 60 foram de Ouro, os anos 2000 estão sendo de prata em uma moldura dourada. No começo da década, em 2002, Robinho e Diego foram as estrelas de um time montado para não cair. Além deles, Léo, Elano, Renato…Como em 1978, o time era de meninos. Como em 1978, venceram os favoritos e foram campões. Dessa vez, de um Campeonato Brasileiro, na final das eternas pedaladas de Robinho. Depois disso, 2003 vice-campeões do Brasil e da Libertadores, 2004 campeões brasileiros novamente. 2006 e 2007 tiveram times sem o mesmo brilho, sem Robinho, sem Diego, sem Elano. Zé Roberto foi quem despontou. Bi-campeão paulista. E de novo em 2010, quando também ganhou a Copa do Brasil. A nova década que vivemos tem a consolidação de Neymar, a maior joia revelada pelo Santos desde Pelé. Em 2011, de novo bi-campeão paulista e tri-campeão da Libertadores junto com Ganso, Elano, Arouca, Edu Dracena, Durval, Adriano, Danilo, Léo entre outros.
Com Diego e Robinho, com Neymar e Ganso, o Santos volta a jogar bonito, a encantar torcidas e a golear os adversários. Perto do que está acontecendo, 2002-2004 parece um ensaio. Com alguns atores daqueles anos, de 2010 até agora o Santos só tem crescido. Foram 4 títulos até agora, incluindo a Libertadores, que já estava com saudades do Peixe. Com Neymar conhecido pelo planeta todo, na lista dos melhores jogadores do Mundo, com o futebol romântico de Ganso, com os títulos que não param de encher o Memorial das Conquistas, com os gols que não param de sair, com as jogadas que não param de encantar. O Santos voltou ao topo do Mundo.

Escrito no 11/04/2012 por Bruno Jeuken Souza

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